
"Não foi a primeira editora exclusivamente dedicada ao jazz. Essa foi a Swing, criada em França em 1937. Mas a Blue Note Records é hoje a mais antiga ainda em actividade. Os seus fundadores, Alfred Lion – que fugiu da Alemanha nazi para Nova Iorque – e o escritor Max Margulis, estavam longe de imaginar que 70 anos volvidos, o selo de qualidade musical que edificaram continuaria a fazer as delícias dos amantes de jazz.
O “slogan” da empresa não engana: "The Finest in Jazz Since 1939". Os mais populares intérpretes foram gravando, ao longo das décadas, sob o selo da companhia: os saxofonistas Sonny Rollins, Dexter Gordon, Lee Morgan, Eric Dolphy e Ornette Coleman; os pianistas Thelonious Monk, Bud Powell, Horace Silver e Herbie Hancock; os trompetistas Fats Navarro, Miles Davis, Donald Byrd, Kenny Dorham e Freddie Hubbard; os guitarristas Kenny Burrell e Grant Green; o contrabaixista Ron Carter... A lista de talentos é quase infinita. O clarinetista Sidney Bechet e o pianista Earl Hines figuraram entre as primeiras assinaturas da marca, que acabou por se afirmar no mercado, depois de já se ter juntado a Lion e a Margulis o fotógrafo alemão Francis Wolff, outro judeu em fuga da Europa nazi.
A partir do momento em que o selo musical se começou a afirmar, as evoluções do jazz – que se foi misturando, experimentalmente, com o bebop, o hard bop, o soul, o rhythm and blues – fazem-se usando a Blue Note Records como montra. Os músicos vão passando a palavra, os donos de clubes dão rédea solta ao experimentalismo e a editora aproveita para se expandir.
Na década de 1950 juntam-se ao grupo original de fundadores mais duas peças chave na engrenagem da editora: o engenheiro de som Rudy Van Gelder e o “designer” gráfico Reid Miles.
Durante a década de 1970, já depois da retirada de Lion (em 1967) e da morte de Wolff (1971), a editora foi-se adaptando às novas sonoridades soul e pop, entrando numa era mais sombria e limitando-se a uma política de reedição, até que, em 1985, a Blue Note Records foi relançada, já sob a alçada da multinacional EMI e sob direcção de Bruce Lundvall. A cantora Norah Jones e, mais recentemente, Al Green, fazem parte dos nomes adicionados à parede da fama da editora.
Para celebrar os 70 anos da editora, uma banda contemporânea de respeitados músicos de jazz - agregada sob o nome colectivo de Blue Note 7, composto, entre outros, por Bill Charlap, Ravi Coltrane, Steve Wilson e Nicholas Payton – está a organizar um “tour”. Os músicos querem levar algumas das lendas musicais da editora a todos os cantos dos Estados Unidos."
in, Público de 07/04/2009 (edição online)
Desde já aqui ficam os meus Parabéns à Blue Note, que pessoalmente considero, mais do que apenas uma grande editora discográfica, uma instituição cultural de referência no panorama musical e jazzístico a nível mundial, constituindo-se hoje como património cultural da Humanidade.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Blue Note : 70 anos ao serviço do Jazz
domingo, 1 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Lendas do Jazz : John Coltrane

Quando se ouve John Coltrane, é como um renovar dos nossos conceitos sobre sonoridade inventiva. É presenciarmos uma riqueza musical altamente criativa e genial. Existisse uma escala pictórica para julgar outras artes, pessoalmente colocaria Coltrane ao lado de Pollock. A linguagem musical de Coltrane, é um mergulho profundo, como o de Pollock, num mundo de arabiscos, labirintos e de um caleidoscópio expressivo.
E pensar que existe muita gente que julga que " um fulano que toca Jazz num saxofone, é alguém ultrapassado e não passa de um músico de baile para a 3ª idade" . Foi o que há alguns tempos ouvi de um familiar na casa dos 20, apologista do momento, como é habitual nesta idade. Valerá a pena sequer contra-argumentar tamanha teoria? É lógico que não, até porque contra a ignorância não pode haver uma profícua e interessante discussão de ideias!
A idade, obviamente, que não é critério para nada (deixemos aqui as crianças de parte, claro), no entanto há pessoas que muito precocemente, conseguem ter uma maior sensibilidade para as Artes do que outras. Não são é a maioria infelizmente!
No início dos meus 20's , também eu desconhecia por completo Coltrane, o Jazz para mim era algo intrigante que suscitava o meu interesse, mas apresentava-se ainda envolvido por uma atmosfera densa derivada do pouco contacto que tinha com este estilo musical.
Para se entender ou se sentir (conforme uns sejamos mais racionais e outros mais emocionais) a Arte, temos que ter obrigatoriamente acesso e contacto com ela.
Mas finalizando, aos 20 ainda podemos dar-nos ao luxo de ir juntamente com a "manada" ou se preferirem "na onda".
Se puder ser, ao som - claro- de Coltrane!
Senhores e senhoras, convosco John Coltrane - My Favourite Things
sábado, 22 de novembro de 2008
Lendas do Jazz : Miles Davis
Decidi iniciar hoje aqui no O.Shakers, uma nova rúbrica a qual pretende colocar em destaque esse estilo musical, de nome Jazz e o qual reflecte um verdadeiro espírito shaker não somente no que toca ao universo musical, mas também ao próprio acto criativo e artístico.
Para abrir "o livro"... Miles Davis, um verdadeiro criativo e shaker por excelência! Miles dentro do universo do Jazz, foi sempre um autêntico "camaleão", nunca se contentando em permanecer fiel a um estilo ou a uma filosofia determinista. Miles, foi acima de tudo um dos maiores nomes da história do Jazz, procurando sempre quebrar barreiras e explorar novos mundos.
O vídeo que vos deixo, desenrola-se em torno do 50º aniversário do álbum "Kind of Blue" (e que albúm). Nele poderemos escutar alguns excertos desta autêntica obra de arte (e que bem que assenta aqui esta designação), juntamente com comentários e testemunhos sobre o homem e a sua obra, que vão desde: Herbie Hancock (que ainda neste último verão actuou em Loulé), Bill Evans, etc...
Outros "monstros sagrados" também estão neste vídeo mencionados, tais como, John Coltrane, Bill Evans, Paul Chambers, entre outros, os quais ajudaram Miles a criar esse albúm que é uma autêntica referência da história do Jazz.
"Senhores e senhoras, convosco o grande Miles Davis !"












