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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Também o lixo será a preço de saldo ???

Acontece em Quarteira, como deve e com certeza que acontece noutras localidades pelo País fora... infelizmente. Se muita coisa não anda nos carris da compreensão eticamente moral e consciencioso, então o que retrata estas imagens dizem tudo. Se alguém quiser ser vendedor ambulante com espaço num mercado qualquer, numa localidade por este País fora, paga uma licença que dá-lhe acesso a um lugar onde expõe o seu produto (contrabando ou não.... isso é matéria para ASAE [outro assunto que podemos aflorar noutro "Shaker"] mas que o povo gosta é verdade...) a preço de saldo seja em Português ou em Inglês, ou algo parecido com isso, mas esse facto não lhe dá qualquer direito de gozar com os cidadãos em geral e com labora na limpeza das nossas vilas e cidades...

No final de um dia de mercado, o mesmo é dizer a meio da tarde, este é o cenário na principal artéria de Quarteira, junto a hotéis, perto do calcadão (ex-libris da nossa cidade), e isto é o quem nos visita tem o "privilégio" de observar, ou seja caixotes, papéis, plásticos, entre outras coisas que ficam literalmente no chão, voando, dignificando pela negativa, pode-se assim dizer, a nossa cidade que se quer de atracção turística, e depois apresentamos estes Postais Ilustrados...
Porque não, responsabilizar os vendedores, atribuindo a obrigatoriedade de deixar o lugar que ocupa no mercado, da mesma forma como o encontra quando inicia o mercado? Porque não incluir no Regulamento das Feiras e Mercados um artigo que obrigasse os vendedores a respeitarem as cidades que visitam e as suas populações, respeitando quem visita, trabalha e obviamente quem mora nessas cidades, limpando os espaços que ocupam nos mercados sob pena de ficarem sem a licença de venda senão o fizerem? Porque será que teremos que ser nós, os moradores das cidades que tenhamos de pagar aquilo que alguém suja e propositadamente deixa o lixo apêndice às feiras e mercados e ao mesmo tempo aproveita e faz a limpeza à carrinha e distribui mais uns caixotes, papéis e plásticos às centenas que esvoaçam e "passeiam" nas nossas cidades?
Deixo esta minha desgarrada emocional e estas perguntas que espero que reflictam e contribuam, opinando sobre este problema, ou melhor eu acho que é problema e tu ????

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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Em Torno de Castoriadis - II


Na sua grande obra “ A Ascensão da Insignificância”, Castoriadis fala da decadência da civilização e pergunta se será possível esta sociedade continuar a funcionar e reproduzir-se, “ quando em todas as sociedades ocidentais se proclama abertamente (e em França, cabe aos socialistas a glória de o terem feito de um modo que a direita nunca tinha ousado fazer) que o único valor é o lucro e que o ideal de vida social é o enriquecimento. Se assim fosse – diz ele – os funcionários deviam aceitar e pedir umas cunhas para efectuarem o seu trabalho, os juízes deviam leiloar as decisões dos tribunais, os educadores fornecer boas notas às crianças cujos pais lhes oferecessem um cheque à socapa e assim por diante.” Em sua opinião só o medo da sanção penal os impede de assim proceder.
Castoriadis afirma que nunca como hoje foi tão urgente reinventar a sociedade, imaginar um outro sentido para a sua existência. E acaba este parágrafo com as seguintes palavras: “ O que podemos dizer é que todos aqueles que têm consciência do carácter terrivelmente grave do que está em jogo devem tentar falar, devem criticar esta corrida para o abismo, devem procurar despertar a consciência dos seus concidadãos”. Ora, foi justamente aqui no fim do parágrafo que me apercebi duma das coisas que tem andado a incomodar-me.
Não é a constatação de que vivemos, uma daquelas épocas históricas em que os insignificantes saltaram para dentro da carroça, tomaram conta das rédeas e conduzem-na agora pela ribanceira abaixo em direcção ao desastre: isso é evidente de há uns anos a esta parte; não é a constatação do modo como imprimiram uma dinâmica de mediocridade a toda a sociedade, parecendo ter o condão de trazer ao de cima, apenas e somente o que de pior há nas pessoas; não, não é isso. É a constatação da complacência com que a nossa (pseudo) intelectualidade assistiu, e em alguns casos aplaudiu até, o trabalho de perversão e destruição do sistema judicial, do sistema educativo público e do sistema de saúde pública. É isso o que me desilude! Comentadores, opositores, meios de comunicação, gente que ocupa cargos de influência política, nas universidades, nas empresas públicas, nos jornais e nas televisões a louvarem o trabalho de sistemática decomposição da sociedade que tem sido a obra de muitos, pelo menos no mínimo, há uns dez anos a esta parte.
Das duas, uma: ou não tinham e não têm a consciência de que fala Castoriadis (como é possível?); ou, se a tinham, porque não falaram? Se calhar não tinham mesmo.
Temos agora um sistema judicial o qual ninguém acredita, por conta da impunidade que por aí grassa; um sistema educativo onde proliferam os colégios privados (para os bolsos só de alguns) e uma escassa rede de creches e infantários de apoio estatal que força os cidadãos a terem de alargar os cordões á bolsa, isto depois de se ter destruído o ensino público (esse trabalho, aliás, ainda não está completamente acabado – mas anda lá perto), e um sistema de saúde que tem sido sempre muito mal tratado, que se orgulha de ter os bebés a nascer no meio de estradas e onde a coordenação de meios e entidades por vezes é no mínimo gritante (também aí proliferam os hospitais privados - para quem pode, claro). A banca enriquece, os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres. E ressalvo que não tenho nada contra as pessoas fazerem fortuna, agora façam-no de acordo com a ética e a moral humanista , e não “humilhando” aqueles que no fundo apenas vão lutando para ir sobrevivendo. No Natal diz-se ao povo que a culpa da crise reside no apetite dos portugueses que gastam dinheiro a comer demais, ou então das “forças externas” que condicionam inexoravelmente a nossa economia!
Hanna Arendt dizia que os povos têm os governantes que merecem.
Pelos vistos também se aplica a mesma frase aos intelectuais cá do sítio (salvo algumas excepções, convém frisar).

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