Deus é omnipotente, omnisciente e bom!
Deus não poderá ser as três coisas.
Se for omnipotente e omnisciente, então tem conhecimento de todo o mal e poder para acabar com ele, ainda assim não o faz. Não é bom.
Se for omnipotente e bom, então tem poder para extingir o mal e quer fazê-lo, pois é bom. Mas não sabe quanto mal existe.
Se for omnisciente e bom, então sabe do todo o mal e quer mudá-lo. Mas isso elimina a possibilidade de ser omnipotente, pois se o fosse erradicava o mal.
Logicamente seria impossível sair daqui. Pois é!! Mas lógica e religião não têm muito a ver. Por isso os cristãos para se livrarem deste paradoxo, espetaram-nos com a teoria do livre-arbítrio. O livre-arbítrio segundo os religiosos é o aspecto em que o ser humano tem total liberdade nas suas acções, ou seja, não é controlado por Deus.
Antes de lá chegarmos, afirmar que o mal provém somente do livre-arbítrio, é no mínimo falacioso. O que dizer dos acidentes, das catástrofes naturais e de outras desgraças que os seres humanos não podem controlar, que destroem a vida de milhões de pessoas, isso não prova que existe mal para além do ser humano?
Para ter livre-arbítrio, o ser humano deve ter mais do que uma opção, sendo que uma é descartada. Isso significa que antes de se fazer a escolha, deve haver um estado de incerteza durante o período de possibilidades: o ser humano não pode saber o futuro. Mesmo se o ser humano achar que pode prever a sua decisão, se afirma ter lívre-arbítrio, deve admitir a possibilidade (senão o desejo) de mudar de ideia antes da decisão ser a última.
Um ser que sabe tudo não pode ter um "estado de incerteza". Ele sabe as escolhas antes. Isso significa que não têm a liberdade de evitar as escolhas dele, portanto ele não possui o lívre-arbítrio. Já que um ser que não possui o livre-arbítrio não é um ser pessoal, um ser pessoal que sabe tudo não pode existir.
Se existe o livre-arbítrio, porquê a rezas e as orações pedindo a Deus que intervenha na vida do ser humano?
Deus sabe o futuro, pois existem as profecias. Se Deus sabe o futuro, então não há alternativa para o ser humano, pois o seu destino já está traçado. Logo não há livre-arbítrio.
Se não há livre-arbítrio, voltamos novamente ao Paradoxo de Epicuro/ Dilema do Mal.
Havia muito para dizer sobre o livre-arbítrio e as posições Deterministas, Indeterministas, Compatibilistas e Incompatibilistas que têm alimentado a filosofia Ocidental nestes últimos séculos, mas para isso deixo-vos aqui o link para se informarem melhor.
Para terminar gostaria só de acrescentar que Epicuro viveu antes de Cristo (341 a.c. – 270 a.c.) e desconhecia o Deus dos Judeus (do Velho Testamento), mas era comum naquela época serem atribuídos a Zeus as características de Omnipotente, Omnisciente e Bom. A partir daqui e de outros factos que divulgarei noutras postagens, poderemos ver que o Cristianismo foi influênciado por inúmeras religiões da Antiguidade.
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quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Dilema do mal/ Paradoxo de Epicuro
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