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sábado, 9 de janeiro de 2010

Para reflectir...

"As más relações entre a verdade e a política são um desafio para o pensamento político: será mesmo da essência da verdade ser impotente, e da essência do poder ser enganador?"

Hannah Arendt

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domingo, 15 de novembro de 2009

Sinais do Tempo: A paranóia ataca em força

Deixo-vos aqui o artigo da autoria de Paul Krugman (Nobel da Economia em 2008) publicado na edição da passada 5ª feira no jornal "i" e que de certa forma mostra como vão as coisas no panorama político americano, mais concretamente nesse partido conservador de nome Republicano.

Afirma Krugman:

" O tom das manifestações contra a reforma Obama do sistema de saúde é sintomático. A direita irracional está a tomar conta do Partido Republicano. E as consequências podem ser tremendas.

A semana passada houve uma manifestação à porta do Capitólio em protesto contra a iminente legislação sobre cuidados de saúde. Os argumentos eram do tipo a que já nos habituámos, incluindo grandes cartazes com corpos empilhados em Dachau e com a legenda "Cuidados de saúde do nacional-socialismo". Foi grotesco - e também premonitório. Porque aquilo a que estamos a assistir é ao começo da californização dos Estados Unidos.

A conclusão mais importante que se deve retirar dessa manifestação é que não foi um acontecimento periférico. Foi patrocinada pela liderança republicana do Senado: com efeito, foi oficialmente rotulada como conferência de imprensa desse partido. Os seus mais eminentes legisladores estiveram presentes e o tom dos protestos não lhes causou o mínimo incómodo.

É certo que Eric Cantor, número dois republicano na Câmara de Representantes, fez algumas críticas suaves depois do acontecimento. Mas apenas "suaves". Os cartazes eram "impróprios", disse o seu porta-voz; as comparações com Hitler feitas por pessoas como Rush Limbaugh, disse Cantor, "evocam imagens que, francamente, não ajudaram nada".

O que isto revela é que o Partido Republicano foi tomado pelas pessoas que costumava explorar.

O estado de espírito patente em recentes manifestações da direita não é uma novidade. Já em 1964, o historiador Richard Hofstadter publicou um ensaio intitulado "The Paranoid Style in American Politics", que parece basear-se nos grandes títulos da actualidade de hoje: os americanos da extrema direita, escrevia ele, sentem que "os EUA lhes foram em grande parte sonegados, a eles e aos seus semelhantes, e estão determinados a tentar recuperá-los e a evitar o derradeiro acto da sua subversão."

Embora o estilo paranóico não seja novo, o seu papel no Partido Republicano é.

Nos tempos em que Hofstadter o escreveu, a direita sentia-se expropriada, por ter sido rejeitada por ambos os grandes partidos. Isso mudou com a chegada de Reagan: os políticos republicanos começaram a ganhar eleições, em parte por cuidarem das paixões da direita enfurecida.

Porém, até há pouco tempo, esse cuidado tem sobretudo assumido contornos de simbolismo oco. Uma vez ganhas as eleições, as questões que incendiavam as bases ficaram quase sempre para trás, suplantadas pelas preocupações económicas das elites. Assim, em 2004, George W. Bush assentou a sua campanha no antiterrorismo e nos "valores".

Mas no ano passado algo inesperado aconteceu. Depois da vitória esmagadora dos democratas, os extremistas deixaram de poder ser engodados com promessas de futura glória. Além disso, a perda simultânea da maioria no Congresso e na Casa Branca deixou um vazio de poder num partido habituado a uma gestão das cúpulas para as bases. Nesta altura do campeonato, Newt Gingrich faz figura de velho estadista reservado e razoável do Partido Republicano.

No partido, o poder real reside de facto em pessoas como Rush Limbaugh, Glenn Beck e Sarah Palin (que, actualmente, é mais uma figura mediática que uma política convencional). Uma vez que estas pessoas não estão interessadas em governar, alimentam o frenesim das bases em vez de tentarem acalmá-las ou canalizar as suas energias. Assim, toda a antiga moderação desapareceu.

A curto prazo, isso pode ajudar os democratas. Ou talvez não: as eleições não são necessariamente ganhas pelo candidato que apresente os argumentos mais racionais; são muitas vezes determinadas pelas circunstâncias e pelas condições económicas.

Efectivamente, é bem possível que o partido de Limbaugh e de Beck consiga ganhos importantes nas eleições intercalares do próximo ano. Os esforços da administração Obama para a criação de emprego falharam e portanto é provável que o desemprego se mantenha desastrosamente alto ao longo do próximo ano e para além dele. O resgate de Wall Street, muito vantajoso para os banqueiros, enfureceu os eleitores e até é possível que cubra os republicanos com o manto do populismo económico. Os conservadores podem não ter ideias melhores, mas os eleitores poderão vir a apoiá-los por pura frustração.

Se os republicanos alcançarem grandes vitórias no próximo ano, o que já aconteceu na Califórnia pode vir a acontecer a nível nacional. Na Califórnia, o Partido Republicano encolheu, tornando-se essencialmente um partido de "restos" sem qualquer interesse em governar - mas esses restos continuam a ser suficientemente substanciais.

Se isso acontecer nos Estados Unidos no seu conjunto, o que não é difícil, o país, em plena catástrofe económica, pode tornar-se de facto ingovernável.

O que está em causa é que a tomada do Partido Republicano pela direita irracional não é assunto para se levar de ânimo leve. Está a acontecer algo sem precedentes - e muito mau para os EUA."


Exclusivo i/The New York Times (13/11/2009)

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A Diferença entre Liberais e Conservadores (na Europa: Esquerda vs Direita)

Em época de eleições nos EUA, coloco este post com um vídeo do grande site que é o www.ted.com , onde o orador Jonathan Haidt (Psicólogo), analisa a questão das raízes morais do pensamento liberal e do pensamento conservador. São cerca de 18 minutos bastante interessantes que pretendem dar uma visão do todo sobre esta eterna questão, este eterno confronto do pensamento social económico e político. Na dimensão europeia, o tema abordado será sempre adaptado à velha dicotomia Esquerda vs Direita.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A Dromologia ou a Lógica da Velocidade



A Dromologia, termo proveniente do grego “dromos” e o qual tem como principal teorizador Paul Virílio , é a ciência ou lógica da velocidade. Baseia-se no facto de que o acontecimento sofre alterações na sua própria estrutura dependendo da velocidade a que se dá.

Este é um ponto de vista interessante para entendermos e "desmontarmos" um pouco melhor o mundo em que vivemos.

As guerras actuais, a fome, a morte escandalosa dos outros, já não nos afectam mais como antes dos meios de comunicação de massas nos manterem actualizadamente informados, principalmente pelas imagens à velocidade da luz, de tais factos. O acontecimento deixou de produzir em nós o efeito de choque e de surpresa que produzia outrora. Vivemos na sociedade do tédio e contudo nunca antes a sociedade foi tão cheia de acontecimentos. A nossa sociedade existe à escala global, onde permanentemente somos informados de tudo o que de supostamente relevante se passa em qualquer coordenada geográfica do globo terrestre. Mas esta velocidade e quantidade a que a informação chega até nós vacinam-nos contra a própria essência do conceito “acontecimento”. Ele mesmo deixou de o ser à partida porque se encontra desvirtualizado da sua própria definição.

Neste jogo de velocidade a que o facto acontece, gera-se uma hierarquia de poderes. Segundo Paul Virillo (Speed and Politics: An Essay on Dromology. New York: Semiotext(e), 1977 [1986]) o que se move rapidamente ganha poder sobre o que se move lentamente. A Posse, o poder, diz mais respeito a questões de controle de circulação e movimento, do que de contratos e escrituras. Quem se move rapidamente adquire o poder. Pelo contrário quem está parado, perde-o. E quem domina a velocidade igualmente, adquire o poder e vice-versa. Esta é a grande explicação para que os mass-media detenham o poder que detém actualmente. Eles dominam o poder de transmitir o “acontecimento” à velocidade da luz.

Mas isto não se passa sem o efeito perverso apontado anteriormente – o efeito da velocidade ser tão grande que faz com que o próprio objecto perca o seu impacto, e consequentemente a sua importância na sociedade. Dá-se assim lugar a uma nova hierarquia de importância de acontecimentos baseados numa nova escala de valores morais. Porque estando o acontecimento distante do espectador, este não é afectado de modo directo pelo primeiro. A vida humana singular, alvo da maior importância no passado, perde valor em proveito de factos muitas vezes despersonalizados de conteúdo mais ou menos pertinente para a sociedade em geral. Mesmo quando a vida humana está em questão, são normalmente as questões de coscuvilhice mesquinha que despertam a curiosidade do público. Tornamo-nos espectadores da morte e da desgraça alheia. E nisso, a única coisa que nos importa é saber o enredo do caso, como se de um livro policial se tratasse, para comentar com o colega do lado no emprego. O aspecto catártico deste fenómeno não pode ser descurado. Emitimos as nossas opiniões sobre o caso, afirmamos os nossos juízos de valor, realizamos todas as nossas catarses, mas não nos preocupamos com o que verdadeiramente está em causa – o sofrimento alheio. Nada nos diz. Este actual autismo do espectador resulta portanto da rapidez, quantidade, e modo de informação que lhe chega diariamente. E esse autismo é simultaneamente a sua defesa para se tentar manter equilibrado.

Face ao movimento rápido da sociedade, o homem actual não consegue processar emocionalmente toda a informação que lhe chega porque isso lhe traria o colapso nervoso. Necessita portanto de se manter afastado emocionalmente dos acontecimentos para manter o equilíbrio e prosseguir a sua vida normalmente. Esta serenidade e impavidez face à morte, à desgraça alheia, resulta numa dormência verdadeiramente autista e esquizofrénica, mas que é a solução psico-social encontrada pelos indivíduos para o problema. Assim se geram seres humanos passivos, completamente controláveis pelo poder instituído. E há que dizê-lo: existe um aproveitamento pelo poder deste estado de letargia social. É através dele que o próprio sistema político e económico se mantém sem grandes interferências da população vencida além do mais pelo cansaço de se manter equilibrada face à velocidade da História.

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