Deixo-vos aqui o artigo da autoria de Paul Krugman (Nobel da Economia em 2008) publicado na edição da passada 5ª feira no jornal "i" e que de certa forma mostra como vão as coisas no panorama político americano, mais concretamente nesse partido conservador de nome Republicano.
Afirma Krugman:
" O tom das manifestações contra a reforma Obama do sistema de saúde é sintomático. A direita irracional está a tomar conta do Partido Republicano. E as consequências podem ser tremendas.
A semana passada houve uma manifestação à porta do Capitólio em protesto contra a iminente legislação sobre cuidados de saúde. Os argumentos eram do tipo a que já nos habituámos, incluindo grandes cartazes com corpos empilhados em Dachau e com a legenda "Cuidados de saúde do nacional-socialismo". Foi grotesco - e também premonitório. Porque aquilo a que estamos a assistir é ao começo da californização dos Estados Unidos.
A conclusão mais importante que se deve retirar dessa manifestação é que não foi um acontecimento periférico. Foi patrocinada pela liderança republicana do Senado: com efeito, foi oficialmente rotulada como conferência de imprensa desse partido. Os seus mais eminentes legisladores estiveram presentes e o tom dos protestos não lhes causou o mínimo incómodo.
É certo que Eric Cantor, número dois republicano na Câmara de Representantes, fez algumas críticas suaves depois do acontecimento. Mas apenas "suaves". Os cartazes eram "impróprios", disse o seu porta-voz; as comparações com Hitler feitas por pessoas como Rush Limbaugh, disse Cantor, "evocam imagens que, francamente, não ajudaram nada".
O que isto revela é que o Partido Republicano foi tomado pelas pessoas que costumava explorar.
O estado de espírito patente em recentes manifestações da direita não é uma novidade. Já em 1964, o historiador Richard Hofstadter publicou um ensaio intitulado "The Paranoid Style in American Politics", que parece basear-se nos grandes títulos da actualidade de hoje: os americanos da extrema direita, escrevia ele, sentem que "os EUA lhes foram em grande parte sonegados, a eles e aos seus semelhantes, e estão determinados a tentar recuperá-los e a evitar o derradeiro acto da sua subversão."
Embora o estilo paranóico não seja novo, o seu papel no Partido Republicano é.
Nos tempos em que Hofstadter o escreveu, a direita sentia-se expropriada, por ter sido rejeitada por ambos os grandes partidos. Isso mudou com a chegada de Reagan: os políticos republicanos começaram a ganhar eleições, em parte por cuidarem das paixões da direita enfurecida.
Porém, até há pouco tempo, esse cuidado tem sobretudo assumido contornos de simbolismo oco. Uma vez ganhas as eleições, as questões que incendiavam as bases ficaram quase sempre para trás, suplantadas pelas preocupações económicas das elites. Assim, em 2004, George W. Bush assentou a sua campanha no antiterrorismo e nos "valores".
Mas no ano passado algo inesperado aconteceu. Depois da vitória esmagadora dos democratas, os extremistas deixaram de poder ser engodados com promessas de futura glória. Além disso, a perda simultânea da maioria no Congresso e na Casa Branca deixou um vazio de poder num partido habituado a uma gestão das cúpulas para as bases. Nesta altura do campeonato, Newt Gingrich faz figura de velho estadista reservado e razoável do Partido Republicano.
No partido, o poder real reside de facto em pessoas como Rush Limbaugh, Glenn Beck e Sarah Palin (que, actualmente, é mais uma figura mediática que uma política convencional). Uma vez que estas pessoas não estão interessadas em governar, alimentam o frenesim das bases em vez de tentarem acalmá-las ou canalizar as suas energias. Assim, toda a antiga moderação desapareceu.
A curto prazo, isso pode ajudar os democratas. Ou talvez não: as eleições não são necessariamente ganhas pelo candidato que apresente os argumentos mais racionais; são muitas vezes determinadas pelas circunstâncias e pelas condições económicas.
Efectivamente, é bem possível que o partido de Limbaugh e de Beck consiga ganhos importantes nas eleições intercalares do próximo ano. Os esforços da administração Obama para a criação de emprego falharam e portanto é provável que o desemprego se mantenha desastrosamente alto ao longo do próximo ano e para além dele. O resgate de Wall Street, muito vantajoso para os banqueiros, enfureceu os eleitores e até é possível que cubra os republicanos com o manto do populismo económico. Os conservadores podem não ter ideias melhores, mas os eleitores poderão vir a apoiá-los por pura frustração.
Se os republicanos alcançarem grandes vitórias no próximo ano, o que já aconteceu na Califórnia pode vir a acontecer a nível nacional. Na Califórnia, o Partido Republicano encolheu, tornando-se essencialmente um partido de "restos" sem qualquer interesse em governar - mas esses restos continuam a ser suficientemente substanciais.
Se isso acontecer nos Estados Unidos no seu conjunto, o que não é difícil, o país, em plena catástrofe económica, pode tornar-se de facto ingovernável.
O que está em causa é que a tomada do Partido Republicano pela direita irracional não é assunto para se levar de ânimo leve. Está a acontecer algo sem precedentes - e muito mau para os EUA."
Exclusivo i/The New York Times (13/11/2009)
domingo, 15 de novembro de 2009
Sinais do Tempo: A paranóia ataca em força
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Documentário - "Fall Of The Republic"
Mais um documentário interessante. Um ângulo de visão deveras diferente daquele que é comum encontrar nos Media sobre a actual realidade política americana e de certa forma também mundial.
Versão integral:
segunda-feira, 16 de março de 2009
Camarada Obama???

Segundo elementos do Partido Republicano nos EUA, Barack Obama estará a implementar o "Socialismo" - na sua vertente mais Leninista - na terra dos sonhos e da liberdade.
Segundo notícia da Revista brasileira Veja:
"Eminências da direita mais empedernida da política americana deram para denunciar que as medidas tomadas por Obama para combater a crise estão colocando os Estados Unidos na rota do socialismo. O senador republicano Jim DeMint, da Carolina do Sul, diz que Obama é "o melhor propagandista do socialismo". O ex-quase-presidenciável Mike Huckabee, que perdeu a disputa pela candidatura para o senador John McCain, disse que Obama está criando "repúblicas socialistas" no país, e completou: "Lênin e Stálin iam amar isso aqui".
O assunto virou capa de revista e está nos parachoques dos carros na forma de adesivos que saúdam o presidente como "camarada Obama" e o país como "União dos Estados Socialistas da América". Os trombeteiros do "socialismo americano" começaram a se agitar porque, para domar a crise, o governo americano está drenando oceanos de dinheiro público na economia, despertando o perigo do gigantismo estatal.
A uma única seguradora, a AIG, já deu 180 bilhões de dólares. Só para os dois maiores bancos, Bank of America e Citigroup, entregou 100 bilhões. Às duas maiores indústrias automobilísticas, GM e Chrysler, foram 17 bilhões e talvez despache mais 22 bilhões. O mais pedestre raciocínio ideológico concluiu que, se a Casa Branca está se metendo em diversos setores da economia, o socialismo chegou à América. Ou, se ainda não chegou, está a caminho.A coisa piorou quando Obama entregou ao Congresso sua proposta de Orçamento para o ano fiscal de 2010. Com 10 000 páginas e 3,6 trilhões de dólares, a proposta é ousada e promete uma guinada radical em boa parte das políticas públicas que os Estados Unidos vêm adotando nos últimos trinta anos. Obama propõe universalizar o sistema de saúde, incorporando os 40 milhões de americanos que hoje não têm qualquer tipo de assistência."
Na minha opinião, a direita norte-americana (Republicanos) na falta de melhores argumentos, e desprovida da eficiência das suas "armas" tradicionais (basta ver no que é que o Neoliberalismo deu) está a tentar recriar a imagem do "bicho papão comunista" que imperou na antiga URSS no século transacto.
Independentemente daquilo que o governo de Obama possa fazer, seja através das injecções brutais de capital na economia; seja o alargamento da rede de protecção social aos mais desfavorecidos; seja a criação de um sistema de saúde mais humano e menos privatizado e por conseguinte menos dependente das seguradoras; seja a tão anormal estatetização da banca americana, os EUA jamais se transformaram numa República Socialista à boa maneira dos sovietes.A este tipo de afirmações, não poderia estar mais de acordo com a designação encontrada pelo jornalista da Veja: "os corneteiros da provocação ideológica". Belíssima designação registe-se!
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Estados Desunidos da América???
Na opinião de Panarin, a crise económica actual e uma futura guerra civil nos Estados Unidos vão impulsionar a divisão da maior potência do planeta em repúblicas que ficarão sob influência de diversos países.
Panarin, que afirma já ter previsto a desintegração da ex- URSS, no que concerne aos EUA, já em 1998 tinha avançado com esta teoria, a qual ninguém lhe deu ouvidos. Contudo, nas últimas semanas tanto o Wall Street Journal como a CNN, têm vindo a dar ênfase a esta teoria de Panarin, o que não é sinónimo de dar crédito à mesma, no entanto perante o actual cenário de crise , nota-se que a surdez ao tema tem sido menor.
Tudo (segundo Panarin) se iniciará com uma guerra civil, com um figurino tipo ex-Jugoslávia, com as diferentes etnias a lançarem-se umas às outras de acordo com o grau de carências económicas que sentirem.
A configuração deste novo mapa geopolítico, pode ser verificada na imagem que acima disponibilizamos.
Sobre a dita teoria, pessoalmente não lhe dou muito crédito, contudo o dito académico avança com alguns factos que julgo merecerem alguma análise:
-Costa Oeste americana, caracterizada por uma forte presença asiática, onde as comunidades indiana e chinesa crescem exponencialmente;
- do Texas à Florida a massiva presença de uma comunidade hispânica, a qual coloca a sua cultura e o castelhano como sinais de importante referência na zona;
- Costa Leste, com uma ligação "umbilical" em termos ideológicos à Europa, sendo "dominada pelo capital financeiro".
As teorias valem o que valem, não são elas mais do que...teorias, mas por muito mais absurdas que por vezes algumas nos possam parecer, nunca deveremos colocá-las na posição de completo desprezo pelas mesmas.
A História tem-nos ensinado por várias vezes que aquilo que temos por garantido (ou dado como impossível), pode não passar de pura ilusão. Lembrando aqui a famosa lei de Murphy: "Nada é tão mau que não possa sempre piorar!"
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Resumidamente, será assim:
O novo plano do Tesouro norte-americano para salvar os bancos do país tem quatro pontos fundamentais: Para estabilizar o sistema financeiro e recuperar a confiança nos mercados, os reguladores vão definir critérios comuns para ajudar a limpar os balanços dos bancos e fortalecer os seus rácios de capital. Os reguladores também vão, pela primeira vez na história, fazer simulações de risco para garantir que os maiores bancos do país conseguem sobreviver em caso de agravamento da recessão. O plano prevê ainda novas injecções de liquidez nos bancos que precisem de capital para continuarem a emprestar dinheiro às famílias e às empresas, desde que estes consigam atrair capital privado. Para estimular os empréstimos a consumidores e empresas, o Tesouro e a Reserva Federal (Fed) estão a criar uma nova linha de crédito de até um bilião de dólares. O objectivo é fazer descer os juros dos empréstimos para os clientes responsáveis e dinamizar o mercado de crédito. Para voltar a pôr o sistema financeiro a funcionar, o Tesouro e a Fed também vão criar um Fundo de Investimento Público-Privado que irá disponibilizar capital a investidores privados para comprarem "activos tóxicos" dos bancos. Isto permitirá às instituições financeiras limpar os seus balanços contabilísticos, ao mesmo tempo que possibilita aos investidores privados definir preços para activos que anteriormente não valiam nada. Para conter a crise do sector imobiliário e permitir que as pessoas mantenham as suas casas, o Tesouro, em conjunto com a Fed, vai criar uma bolsa de 50 mil milhões de dólares. Esta quantia será usada para descer as prestações mensais pagas pelos norte-americanos. Fed e Tesouro também vão definir novas regras para os empréstimos. O Plano de Estabilidade Financeira de Obama vai exigir ainda que todas as instituições que recebam ajudas federais participem nos planos do Governo contra a crise do sector imobiliário. O mesmo documento sublinha que ter acesso aos recursos do Governo é um privilégio, não é um direito, e acarreta novas condições e responsabilidades. fonte:Diário Económico
O "Diário Económico", notícia hoje como será a estratégia da administração Obama para, no imediato, estabilizar o sector financeiro norte-americano.
Resumidamente, será assim:
O exemplo começa a ser dado, vamos ver como respondem os Europeus. Certamente não será a nacionalizar bancos que são autênticos "buracos negros"!
Obama promete marcar pela positiva a História contemporânea, ficaremos atentos!
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
I Have a Dream
Yes we can é o lema do 44.º Presidente dos EUA que hoje tomou posse, de seu nome Barack Obama, que já entrou para a história dos EUA ao ser o 1.º Presidente negro dos EUA.
Por tudo isto e por o que Barack Obama representa eu junto a minha voz à de Obama e digo "Yes We Can" porque "I have a dream" (Eu também tenho um sonho)
sábado, 17 de janeiro de 2009
Top Ten George W. Bush
Vai deixar saudades. No que diz respeito a esta matéria, obviamente! Diria mesmo, quase impossível alguém vir a destroná-lo.
domingo, 11 de janeiro de 2009
Obama recusa entregar telemóvel pessoal ao Estado
Pessoalmente parece-me que Obama faz bem em querer manter um pouco daquilo que é a sua vida pessoal, no entanto dúvido muito que resista à norma estabelecida.
Apesar de tudo fica o desafiar de uma norma pró-sistema que faz com que qualquer presidente americano deixe de ter quase como que vida privada.
Para o presidente dos Estados Unidos, privado privado, se calhar só mesmo o W.C. , ou talvez não!
Aqui fica a notícia:
Barack Obama recusa entregar o seu telemóvel ao Estado, uma obrigação presidencial americana. «Têm de arrancá-lo das minhas mãos», avisa o novo Presidente dos Estados Unidos.
A lei americana obriga a que todas as comunicações do Presidente são propriedade do Estado, mas Barack Obama recusa entregar o seu telemóvel ao departamento de segurança.
O novo Presidente, que toma posse a 20 de Janeiro, prometeu ressuscitar a economia americana e... lutar pelo seu Blackberry. «Têm de arrancá-lo das minhas mãos», avisa. Nem quando está a jogar golfe, ou de férias no Havai, Obama larga o telemóvel que é, afinal, um objecto pessoal.
No entanto, a lei é clara e o Presidente poderá não ter muito a dizer nesta questão. Também os e-mails são alvo de proibição, algo de que Bill Clinton e George W. Bush abdicaram sem problemas.
Três dias antes da sua tomada de posse, Bush enviou até um e-mail a 42 amigos e familiares a avisar da situação.
SOL com agências
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Obama dará prioridade à Economia
Barack Obama, o presidente eleito dos EUA, deu a primeira conferência de imprensa desde as eleições de 4 de Novembro, em Chicago. A economia esteve no centro do seu discurso. «A crise requer uma acção global», disse o antigo senador do Illinois, que deixou ainda alguns avisos ao Irão.
«Imediatamente depois de assumir a presidência irei confrontar esta crise económica de frente», disse Obama, frisando que, para já, é George W. Bush que está na Casa Branca e que, por isso, não há muito que possa fazer neste momento.
Depois de ter sido eleito a 4 de Novembro, Barack Obama só tomará posse a 20 de Janeiro de 2009. Depois dessa data, garantiu, tomará as medidas adicionais necessárias para fazer frente à crise, para além daquelas que já foram tomadas até agora.
«Estamos a enfrentar o maior desafio económico das nossas vidas e vamos actuar rapidamente para resolvê-lo», disse, precisando: «As nossas prioridades vão ser a redução de impostos às famílias com mais dificuldades e o aumento da produção norte-americana».
Antes desta conferência de imprensa, Obama e o seu «número dois», Joe Biden, estiveram reunidos com um concelho de 17 conselheiros económicos. Esta sexta-feira, os dados revelados sobre o desemprego em Outubro (6,5 por cento) revelaram-se os mais altos desde 1994, mais quatro décimas do que em Setembro.
Avisos ao Irão
Durante a conferência de imprensa, Barack Obama abordou ainda o dossier do Irão, cujo programa nuclear tem gerado tensões entre Teerão e a comunidade internacional. O presidente eleito dos EUA deixou um aviso: «O desenvolvimento de armamento nuclear por parte do Irão, considero-o inaceitável».
Obama advertiu ainda que «o apoio de organizações terroristas, por parte do Irão, é algo que tem de terminar». Revelou também que irá responder à carta que recebeu do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, felicitando-o pela sua eleição, mas que a aproximação de Teerão é um tema que terá de ser pensado.quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Barack Hussein Obama eleito como 44º Presidente dos EUA
O assunto de hoje, como não poderia deixar de ser, é a eleição do novo Presidente democrata Barack Hussein Obama (é curioso o segundo nome dele). O objectivo deste post não é deter-me em considerações sobre o programa eleitoral e sobre a pessoa de Obama. Gostaria, sim, de reflectir um pouco sobre a importância que as cadeias internacionais de televisão dedicaram às eleições norte-americanas.
No presente momento encontro-me no Canadá. Tenho acesso via satélite à maioria dos canais televisivos da maioria dos países do continente americano (ou nos continentes norte-americano e sul-americano, visto que não há consenso nisto). Nos meus momentos de zapping tenho notado, de há alguns meses até à data, que grande parte do espaço noticioso em todos estes países é dedicado às eleições norte-americanas (penso que em Portugal há-de ser igual, pelo que me é dado a entender através da RTP Internacional). A maioria destes canais televisivos, favoráveis a Obama, optam todas pelo mesmo formato: actualidades da campanha; entrevistas no exterior perguntando às pessoas (vox populi) sobre qual o seu candidato favorito; entrevistas a emigrantes vivendo nos EUA; pequenas considerações sobre o programa eleitoral de cada um dos candidatos; debates sobre a campanha; opiniões dos principais opinion makers sobre as eleições; biografias sobre a vida de um e do outro candidato, etc. Isto não parece nada de novo, porque os formatos noticiosos tanto aqui na América como na Europa são bastante homogéneos (não me pronuncio sobre os restantes continentes porque não sei, mas não deve ser muito diferente).
Outra das características presentes nestes globalizados formatos noticiosos é a de repetirem ad eternum as mesmas notícias (no caso de se revestirem de alguma polémica, catástrofe ou escândalo).
A importância das eleições norte-americanas para o mundo globalizado é tremenda, quer queiramos ou não. São quase tão ou mais importantes como as eleições em cada um dos países deste nosso esbatido ponto azul (aplicando as palavras de Carl Sagan quando se referia ao nosso Planeta Terra). Alguém ouviu falar nas eleições Canadianas por aí? Só talvez os mais atentos devem ter escutado/ visto algo sobre as eleições legislativas que ocorreram aqui no passado dia 14 de Outubro, nas quais foi reeleito o primeiro-ministro conservador Stephen Harper. O mais cómico é que a campanha aqui mal se notou também, tendo sido dado muito mais relevo às presidenciais nos EUA. Mesmo tentando conversar com os canadianos sobre as eleições aqui no Canadá, era impossível prosseguir conversa sem que o assunto não esbarrasse nas eleições norte-americanas.
Vejo, ainda, com bastante cepticismo a tão apregoada "Change" por parte de Obama. Os lobbys nos EUA são muito fortes, principalmente os que dizem respeito ao armamento/ indústria militar, à banca, às grandes multinacionais, entre outros. Fazer melhor trabalho do que Bush vai ser bastante fácil (penso que até a palhaça Tété faria melhor), o que Obama não se livra é da pressão que todo mundo coloca nele, as expectativas são bastante altas. É certo que, de entre os dois principais candidatos, Obama é a melhor escolha, enquanto Mccain constituiria mais do mesmo. E não podemos continuar com o mesmo.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Dia histórico nos Estados Unidos
A gigantesca afluência às urnas e vários problemas nas máquinas de voto electrónico estão a marcar o processo eleitoral nos Estados Unidos, provocando enormes filas de gente à espera de participar naquele que muitos analistas antecipam como uma das mais participadas eleições presidenciais norte-americanas de sempre.
Acompanhado da filha mais velha, Malia, Obama votou na sua cidade, Chicago. «Votei», declarou, provocando os aplausos dos eleitores presentes.O senador por Illinois estava acompanhado da mulher, Michelle, e das filhas Sasha e Malia quando chegou à mesa de voto, numa escola primária. Obama demorou cerca de 10 minutos para preencher o enorme formulário de voto, que inclui outras questões administrativas além da escolha do presidente.
Logo depois, Joe Biden, votou em Wilmington (Delaware), ao lado da mãe Catherine e a esposa Jill. Ele saiu sorridente, com o polegar levantado em sinal de confiança.
Obama tem agendado um último comício em Indiana (norte), e Biden é aguardado em Virgínia (leste). Os dois homens devem se encontrar no fim do dia em Chicago.
Hillary e Bill Clinton, por sua vez, votaram em Chappaqua, no estado de Nova York.
Já o candidato republicano, John McCain, votou em Phoenix, Arizona, acompanhado de sua mulher, Cindy. McCain, segundo nas sondagens, votou e saiu rapidamente, evitando responder às perguntas dos jornalistas que o cercavam a secção de voto.
Depois de percorrer na segunda-feira milhares de quilómetros de avião e fazer comícios em sete estados, McCain resolveu fazer, nesta terça-feira, um esforço inédito num candidato presidencial americano, para tentar arrancar a vitória na última hora.
McCain incluiu em sua agenda duas acções de campanha nesta terça-feira, em Colorado e Novo México, dois estados considerados chave.
Sua candidata a vice, Sarah Palin, votou na cidade de Wasilla, no Alasca, acompanhada de seu marido, Todd.
As manchetes dos jornais americanos insistiram nesta terça-feira na importância histórica desta eleição. «A dois passos da história», anunciou o jornal New York Post, ao lado de uma grande foto de Obama. «A história vai ser escrita hoje», afirmou, por sua vez, o jornal nacional USA Today.
Como eles elegem o Presidente
Se ainda não percebeu bem o complexo sistema eleitoral norte-americano, chegou ao sítio certo. Saiba, por exemplo, como é que o maior número de votos dos eleitores não implica necessariamente a vitória de um candidato.
O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA) é escolhido através de sufrágio universal e indirecto. Universal, porque todos os cidadãos americanos podem votar. Indirecto, pois votam para escolher os representantes para um colégio eleitoral, a quem cabe a decisão final.
Primárias
A primeira fase do processo compreende as chamadas primárias, que têm como objectivo a escolha dos candidatos que vão representar cada um dos partidos (o Republicano e o Democrata).
Cada Estado decide como dá rumo a este processo. Em alguns casos, votam apenas os filiados no partido, noutros, qualquer cidadão pode votar. Nas primárias, o voto é secreto, mas há Estados que optam pelo caucus, uma espécie de assembleia popular, em que a votação é pública (braço no ar), podendo até os eleitores alterar o seu voto enquanto ela decorre.
Desta votação, resulta um determinado número de delegados, que vão representar o candidato a que estão associados, numa Convenção realizada por cada um dos Partidos. É aqui que são anunciados, formalmente, os dois candidatos a Presidente dos EUA – embora na maioria das vezes, já se saiba, previamente, quem são estes candidatos, devido à soma do número de delegados eleitos durante as primárias.
Frequentemente, os candidatos com menos peso vão desistindo da competição, principalmente depois da «Super-Terça-feira» – em que quase metade dos Estados vão às urnas –, depois da qual vão diminuindo as dúvidas sobre quem será o vencedor da corrida.
Neste caso, temos Barack Obama e John McCain, pelo Partido Democrata e pelo Republicano, respectivamente, a disputar as eleições de 4 de Novembro.
Colégio Eleitoral
Segue-se então a segunda fase, agora disputada por apenas dois candidatos. Todos os cidadãos norte-americanos recenseados são convidados a votar no seu candidato favorito, nos seus respectivos Estados. Este voto irá servir para eleger um determinado número de delegados, que vão representar o candidato no Colégio Eleitoral. É neste que os delegados eleitos pelo povo vão escolher o novo Presidente dos EUA.
Quanto maior for a população de um determinado Estado, mais representantes terá no Colégio Eleitoral – daí que alguns Estados sejam mais importantes do que outros para que a campanha seja ganha. Para além disso, na maior parte dos Estados, o candidato com mais votos arrecada todos os delegados desse Estado para o Colégio Eleitoral, tendo os votos dos outros candidatos um efeito nulo.
É daqui que surge a controvérsia associada ao modelo norte-americano – é que quem tem mais votos, não é necessariamente quem ganha as eleições. Foi o caso polémico das eleições em que Al Gore perdeu a presidência para George W. Bush, mesmo contabilizando mais votos entre a população.
Sugestão cinematográfica do dia : W. (de Oliver Stone)

Ora chegados (humanidade) ao fim do reinado do Sr. Bush "Júnior", e em dia de eleições americanas, aqui fica a minha sugestão cinematográfica (nada apartidária, refira-se desde logo) levada a cabo por esse grande realizador de nome Oliver Stone e que nos faz pensar em como de facto na América.... tudo é possível.
W. à vossa consideração!
PS: O pormenor das "texanas" no cartaz está excelente.
domingo, 12 de outubro de 2008
Fidel considera "puro milagre" Obama estar vivo
"O que abunda em McCain são os anos", ironizou Castro, acrescentando que a sua companheira de lista, Sarah Palin, "não sabe nada de nada"Ex-líder cubano lembra Martin Luther King
"Nos Estados Unidos existe um profundo racismo", diz Fidel, que faz questão de frisar que o democrata "ultrapassa em inteligência e serenidade" o rival republicano John McCain.
O ex-líder cubano Fidel Castro assinalou no sábado uma nítida preferência pela candidatura de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos, considerando que o candidato democrata ultrapassa em inteligência o seu rival republicano, John McCain.
Castro declarou também que foi "puro milagre" que Obama não tenha sido assassinado como Martin Luther King.
"Nos Estados Unidos existe um profundo racismo e o pensamento de milhões de brancos não consegue reconciliar-se com a ideia de que uma pessoa negra, com mulher e filhos, ocupe a Casa Branca, que se chama assim: 'Branca'", escreveu Fidel na sua última "Refexão" publica no "site" oficial na Internet cubadebate.cu.
"É um puro milagre que o candidato democrata não tenha encontrado a sorte de Martin Luther King, Malcom X e de outros que acalentaram sonhos de igualdade e de justiça ao longos das últimas décadas", acrescentou, referindo aos dois líderes negros assassinados nos anos 60.
Recordando às "más notas" do republicano McCain na Escola Militar de West Point e a sua confissão de falta de conhecimentos em questões económicas, Castro sublinhou que o adversário democrata "ultrapassa-o em inteligência e serenidade".
"O que abunda em McCain são os anos", ironizou Castro, acrescentando que a sua companheira de lista, Sarah Palin, "não sabe nada de nada".
Obama declarou-se favorável a uma abertura a Cuba, submetida desde 1962 a um embargo norte-americano, enquanto McCain se pronunciou pela manutenção da linha dura seguida pela administração de George W. Bush.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
McCain novamente no centro da polémica
Quando alguém é "talhado" para algo, tarde ou nunca se livra dessa "talhagem", e é seguindo esta regra americanizada da política que encontrei mais esta "gaffe" ou em português corrente "asneira" do candidato republicano McCain.
A forma depreciativa como McCain se referiu ao seu adversário, durante o debate, utilizando a expressão 'that one' (aquele, em português), voltou a gerar polémica, depois de, na mesma semana, Sarah Palin também ter acusado Obama de «não gostar o suficiente do seu país, ao ponto de se dar com pessoas que já atentaram contra a sua nação». Enquanto uns consideram estes actos racistas e despropositados, outros preferem ignorar e ultrapassar mais esta infelicidade de McCain e da sua vice-presidente.
O mais recente «caso» deu-se durante o segundo debate entre os candidatos, numa altura em que McCain criticava o opositor por ter votado favoravelmente, em 2007, a uma lei sobre energia da administração Bush. «Sabem quem votou favoravelmente? Nem vão acreditar. Foi aquele ['that one', apontando para Obama]. Não eu!» Foi esta a frase que gerou polémica, acusações de racismo e cujo vídeo (nas mais diversas versões) já inundou o You Tube.
Aproveitando a onda de popularidade de Obama que, durante esta semana, passou a liderar as sondagens em estados importantes, Larry King resolveu convidar Michelle Obama para o seu programa, na CNN.
A mulher do candidato democrata mostrou ter a 'lição' bem estudada e conseguiu esquivar-se na perfeição a todas as perguntas, até mesmo àquelas que continham uma ou outra rasteira.
Michelle admitiu estar a gostar muito da experiência e desvalorizou todas estas situações, relembrando que o principal problema, actualmente, é a crise económica. Os americanos «não se preocupam com estas lutas entre candidatos... eles querem respostas reais de como cada candidato vai conseguir salvar a economia e garantir serviços minímos de saúde. O resto faz parte da política», afirmou a candidata ao 'cargo' de primeira-dama dos EUA.
Durante a sua entrevista, Larry King fez questão de passar a pente-fino o outro tema quente da semana, a acusação de que Obama estaria ligado a supostos terroristas, ao que Michelle respondeu que o marido não tem culpa «das actividades em que outra pessoa possa ter estado envolvida quando ele tinha 8 anos».
Michelle acredita que estes 20 meses de campanha serviram para as pessoas conhecerem suficientemente os candidatos. «Conhecem o seu coração, o seu espírito e aquilo que encorajo as pessoas a fazer é a julgar Obama, e os outros candidatos, com base no que eles fazem, nas suas acções, no seu carácter, com o que fazem da vida e não com actividades em que qualquer outra pessoa posssa ter estado envolvida quando eles eram apenas crianças», afirmou.
A mulher do candidato mostrou todo o seu fair-play quando teve de dar a sua opinião sobre Sarah Palin. «Penso que ela é um excelente exemplo dos diferentes tipos de papel que a mulher assume na sociedade», disse à CNN. Sarah Palin faz «publicamente aquilo que qualquer mulher faz no seu círculo privado. Aquilo por que lutamos e queremos assegurar é que qualquer mulher tenha as mesmas oportunidades e opções que Sarah Palin e eu temos», concluiu.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
domingo, 5 de outubro de 2008
Super Ricos - O Jogo da Ganância (Super Rich: The Greed Game [BBC])
Deixo-vos aqui o documentário de Robert Peston para a BBC: Super Rich: The Greed Game (transmitido em Abril deste ano na BBC2). Esta é uma boa síntese das causas da crise financeira mundial, desde os esquemas de remuneração que propiciam uma grande apetência pelo risco às trapaças que converteram as dívidas do subprime em pacotes classificados como AAA.
Londres é actualmente a capital do capital. Esta cidade é a casa de mais de 50 bilionários (não contando com o Vale e Azevedo, é claro). Nunca desde a Revolução Industrial os ricos acumularam tanto dinheiro. E nesse período as fortunas foram acumuladas durante 40 a 50 anos. No presente período, as fortunas foram acumuladas em apenas 10 anos.
A Reserva Federal Americana indica as taxas de juro não só para os EUA, mas também para todo o mundo. Depois do abrandamento nos mercados devido à onda especulativa da dot-com bubble e logo após o 11 de Setembro de 2001 com a omnipresente ameaça terrorista a pairar no ar, Alan Greenspan Presidente da Reserva Federal Americana decidiu baixar as taxas de juro, pois a confiança dos investidores e consumidores não era a mais elevada.
A juntar a tudo isto os grandes exportadores asiáticos, tais como o Japão e a China emprestaram dinheiro ao Ocidente. Como o sistema financeiro é global, ficou barato pedir empréstimos aos bancos, especialmente para os grandes investidores financeiros. Houve assim uma desenfreada procura pela compra dos mais diversos produtos, desde casas até grandes companhias, criando assim inflacção. Dessa forma, pedindo grandes somas de dinheiro era um passo para atingir uma magnífica fortuna. Foi assim que se criou uma enorme dívida, resultando nesta enorme crise mundial.
Mas quem é que paga sempre a crise? Quem é, quem é??!! O Zé Povinho, pois está claro!!
Vejam aqui a primeira parte deste interessante documentário:
Para ver o resto do documentário é só clicar em baixo.
Super Rich: The Greed Game - segunda parte
Super Rich: The Greed Game - terceira parte
Super Rich: The Greed Game - quarta parte
Super Rich: The Greed Game - quinta parte
Super Rich: The Greed Game - sexta parte
Super Rich: The Greed Game - sétima parte
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Cão raivoso Palin
O texto abaixo exposto é da autoria de Matt Taibbi, colaborador da revista Rolling Stone, e publicado no site alternet.org. Para quem estiver interessado em ler o texto na íntegra (em inglês) pode clicar aqui.
Matt chega a ser extremamente mordaz (mas certeiro) no ataque que faz à conservadora, beata fundamentalista e burra Sarah Palin, tal como poderão constatar já de seguida.
Não vou estar com mais delongas, o melhor é lerem este interessante texto.
“Sarah Palin é o símbolo de tudo o que está mal com os Estados Unidos modernos. Como representante do nosso sistema político, ela é uma nova geração de répteis maléficos, a última obra-prima cínica de manipuladores como Karl Rove. Mas mais do que isso, ela é um símbolo horrível de o quão pouco exigimos em troca de uma rendição de poder político. Não é apenas que Palin seja uma fraude, ela é uma reles fraude, 20 degraus abaixo do menor denominador comum, uma personagem burra demais até para os programas de televisão da tarde [o autor aqui refere-se aos shows como Oprah, Ellen, The View] – e no entanto este país irá “come-la por inteiro”, aplaudindo cada passo que ela der. Isto porque a maior parte dos Americanos já não consegue reunir energia para mais nada do que seja estar sentado e deixar-se ser masturbado pelos manipuladores calculistas que governam o “paraíso do consumo” que se tornou esta nação.
(…)
Sarah Palin tornou-se um produto de marketing tão bem aceite que o facto de ela ter uma filha solteira com uma criança no útero até nem teve importância nenhuma. Claro que, se uma das filhas de Obama aparecesse na Convenção Democrata com um alto de 5 meses na barriga, os defensores da “moralidade tradicional” estariam aos gritos. Igualmente varrido para baixo do tapete é o facto de Palin estar envolvida num caso de abuso de poder devido ao despedimento de um chefe de polícia depois deste ter-se recusado a despedir o ex-marido da irmã de Palin, ou quando Palin, já Presidente da Câmara de Wasila (Alasca) tentou despedir a bibliotecária da cidade, Mary Ellen Emmons, depois desta última ter resistido à pressão por parte de Palin de ter certos livros censurados.
E depois há todo a “bagagem de deus”: Palin pertence a uma igreja onde o pastor, Ed Kalnins acredita que qualquer critica a Bush “vem do inferno”, afirmou que quem votasse em Kerry nas eleições de 2004 “não seria salvo”, que o Alasca será o “sítio de refugio” para os Cristãos nos “últimos dias”. Palin ela mesmo está em imagens onde reproduz as usais idiotices dos “born again” [alusão aos que "renascem para Cristo"], como a ideia que um oleoduto recente no Alasca tinha sido “vontade de Deus” e descrevendo a guerra do Iraque como “tarefa em serviço de Deus”. Igualmente Palin apoia o ensino de criacionismo nas escolas, é contra o aborto mesmo em caso de vítimas de violação, rejeita a ciência por detrás da evidência do aumento da temperatura global e é congregante de uma igreja que tenta converter judeus e “curar” homossexuais.
(…)
Isto é o que Sarah Palin representa: ser-se um porco gordo e nojento, que coloca um autocolante que diz “Country first” nas suas mamas de homem e que grita “USA, USA” no limite dos seus pulmões, enquanto os filhos vivem de cartões de crédito e os Árabes compram as quintas hipotecadas do Kansas.
O que é verdadeiramente revoltante sobre Sarah Palin não é que ela seja totalmente não qualificado, ou que seja uma extremista religiosa, ou que seja incapaz de educar a sua filha sobre sexo, ou que seja uma falsa conservadora que aumenta impostos ou que se apropria de dinheiro federal cada vez que pode. Não, a coisa mais revoltante é isto: ela faz com que o povo Americano pense que apesar de terem sido sodomizados durante uns sólidos 8 anos, querem mais do mesmo durante os próximos 8, e isto em troca de ter Sarah Palin como um motivo de fantasias pornográficas durante as próximas semanas antes das eleições.”
O texto acima foi traduzido por Ricardo Silvestre do Portal Ateu.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Estaremos a assistir ao fim do regime neoliberalista?
O actual regime neoliberalista iniciou-se na presidência de Ronald Reagan (1981-1989), esse actorzinho de terceira categoria que gostava de dizer que "...o Governo não é a solução, mas sim o problema..." no que diz respeito ao funcionamento do mercado. A actual Presidência Bush (filho ou filho duma p***, depende de como o queiram chamar) foi o culminar da não-intervenção nos mercados financeiros e tal inacção catapultou a economia americana para uma enorme crise económica. O executivo americano viu-se na obrigação de prestar uma ajuda financeira de 485 mil milhões de euros (ou seja, 700 mil milhões de dólares) para prestar pronto-socorro ao sistema financeiro da maior economia do mundo. Será este o fim do selvagem regime neoliberal? Esperemos que sim.
sábado, 20 de setembro de 2008
Como ser esbanjador e não dizer nada de jeito - eis o panorama musical na actualidade
Todos sabemos que a indústria musical, anualmente, movimenta vários biliões de dólares, a maioria dos quais nos EUA. O agressivo mercado global tem vindo aos poucos a retirar o encanto daquilo que outrora era algo natural, com substância e que requeria talento, para algo artificial e comercial. Isto diz respeito, não só, a toda a indústria do entretenimento, mas também ao desporto. É a célebre máxima "business as usual" ao seu melhor estilo.
Eu queria apenas aflorar este tema, pelo que vos deixo dois vídeos. Já que uma imagem vale por mil palavras, eu acrescento: um vídeo vale por um milhão de palavras. E dois vídeos então...!!! (façam vocês as contas, como diria António Guterres).
Eu sei que estou aqui a querer comparar o incomparável, exceptuando o facto dos dois singles terem sido sucessos de vendas em todo o mundo, mas atentem aos dois vídeos e vejam as diferenças. Tudo bem, eu sei que a diferença que solta à vista é que as gajas boas do primeiro vídeo são bem melhores do que a Yoko Ono, mas não é dessas diferenças de que eu estou a falar.
No primeiro, a mensagem, se é que ela existe, é uma autêntica merdice (desculpem o termo) e a fortuna gasta com o video-clip dava para alimentar milhões de pessoas em África.
No segundo, a coisa inverte-se, a mensagem é rica (dá para alimentar milhões de mentes em todo o mundo) e o dinheiro gasto com a mesma é uma merdice, quero dizer, um ceitil, uma ninharia. Enfim!! Já não se faz música assim! Mas isto sou eu que estou ficando velho!

















