A merecer destaque e especial atenção, o editorial da edição de 24 do corrente do Jornal "i" da autoria de Martim Avillez Figueiredo.
"Há momentos na vida de um país em que é preciso pôr travões a fundo a quem manda. Para isso, é indispensável que os portugueses se insurjam. Portugal está na banca rota e ninguém parece preocupado. Devia estar. A situação é dramática. Quando Vítor Constâncio vestiu ontem o casaco de assessor do Governo, antecipando mais impostos e avisando cortes nos salários, podia estar a dizer a verdade - mas não está a ser sério. Ou melhor, Constâncio é sério. O que não é sério é o responsável macroeconómico do país não se revoltar contra a política macroeconómica de Portugal.
Crescer impostos é uma afronta aos portugueses (mesmo que pareça inevitável) e ainda mais desconsiderante para cada um dos habitantes deste país é ouvir o Governo dizer que não vai subir impostos - quando o Governador sabe muito bem que Sócrates terá de o fazer. Sucede que o mesmo Governador sabe bem que os portugueses já são os europeus a quem é exigido o maior esforço fiscal (faça Zoom nas páginas 14 a 17), e que esse esforço é entendido quase sempre como dinheiro deitado à rua - uma vez que em cima dele têm ainda de comprar seguros de saúde, pagar propinas de escolas privadas e deixar dinheiro nas portagens da auto-estrada. Pagam, mas começam a não perceber para quê. E quando o esforço privado de cada um serve para financiar os erros de gestão políticos e as trapalhadas financeiras do Estado, então o caldo tem tudo para se entornar. O país está a chegar onde nunca chegou - e não culpem só a crise. A fatia pública que mais cresceu em Portugal (desde 1985) foram os impostos: mais do que a economia, mais do que despesa. É quase ultrajante: a preços acumulados e correntes, os impostos nacionais engordaram 964% entre 1985 e 2008. Pode dizer-se: o país está melhor, vive-se hoje um nível de conforto inimaginável no Portugal dos anos oitenta. Sim, mas se o custo é a banca rota que absurdo de país é este? Seria como se cada um de nós mudasse, em 20 anos, de apartamentos para sumptuosos palácios à beira-mar apenas para descobrir que... abriria falência. Que raio de políticos permitiram que isto acontecesse?
A pergunta que se segue à manchete que o i hoje publica é evidente: se Sócrates não encontra solução para o país, quem encontra? Ou será que não existe? E aqui as respostas são curtas, mas a dois tempos. Primeiro, tudo na vida tem consequências. O facto de parecer que não existe uma solução não desculpa quem a procura. É duro, mas é assim nos mais pequenos detalhes da vida de cada um. Segundo, uma das vias que se discutem hoje na Europa é alimentar a retoma económica com uma poderosa reforma fiscal - pôr tudo em causa. Se Portugal tem 5 grandes centros de receita fiscal (IVA, IRC, IRS, especiais sobre o consumo e ambientais), pode mudar tudo. Há a ideia do imposto natural de dois professores de Yale ou a do imposto corporativo imaginada pelo social-democrata britânico Antony Crosland (releia em www.ionline.pt). E muito mais alternativas. Nenhuma fará milagres, mas é criminoso ver o país à beira da banca-rota e fingir que não se passa nada." - in jornal "i", 24/11/2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
"Portugueses vão ficar mais pobres" - Martim A. Figueiredo
quinta-feira, 5 de março de 2009
Maria Elisa dixit...
"A minha saída do Parlamento foi injusta. Pensei que pudesse juntar o meu ordenado de deputada ao da RTP. Dava ainda aulas numa universidade pública. Nunca mais voltei a recuperar financeiramente"
Palavras para quê!?
Não sei se foi sinceridade da parte da senhora "Jornalista-ex-deputada-ex-professora" ou burrice mesmo. A minha convicção é que foi mesmo a segunda. Mas isso também não invalida que ela seja mais uma chica-esperta como a esmagadora maioria dos nossos políticos.
Esta senhora, provavelmente, nunca foi inscrever-se no fundo de desemprego, nunca passou dias e dias a enviar currículos por e-mail sem receber respostas, nunca entregou currículos em mão e teve de levar com redondos nãos, nunca teve de contactar conhecidos para lhe arranjarem trabalho e grande parte deles virarem-lhe as costas, nunca teve de baixar a fasquia e procurar trabalhos menos condizentes com as suas habilitações. Sinceramente, não me parece que esta senhora tenha alguma vez passado por tudo isto.
Mesmo que não estivéssemos a passar por uma crise, esta declaração seria, no mínimo, obscena. Mas no actual contexto a mesma reveste-se de um sentido extremamente ofensivo para a grande maioria dos portugueses que passam momentos difíceis.
Se ganhava assim tão bem, porque é que não soube gerir melhor o dinheiro? Depressa vem, depressa vai. É o que geralmente acontece com os sinecuristas como ela. Quanto mais ganham mais gastam.
Até me faz lembrar aquele anúncio de uma conhecida cadeia de hipermercados: "É por isto que vou ao ......". Mas no caso da Maria Elisa é por isto que ela foi ao Parlamento.
Fonte: Revista Sábado n.º253 citando entrevista de Maria Elisa à TV Guia
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Memórias da Justiça Portuguesa

Foi notícia da edição de ontem do jornal "Expresso", um interessante artigo sobre aquilo que tem sido a justiça portuguesa nos últimos anos, denominando-a "processos que pariram ratos".
Diz o referido artigo, que os processos judiciais em Portugal, explodem nos jornais servindo de seguida de alimento para as televisões, acabando por depois morrer quando entram nos tribunais.
A título exemplificativo recorda o "Expresso", 12 casos (processos) bastante mediáticos e que no fundo não deram praticamente em nada.
Ora vejamos:
FP-25 de Abril - A dita culpa foi unicamente do arrependido Guedes Monteiro, quando o que estava em causa era uma organização terrorista responsável pela morte de 18 pessoas assassinadas entre 1980 e 1987;
Fax de Macau - nove anitos de espera para (contra a vontade do juíz) Carlos Melancia (sujeito acusado de receber dinheiro indevidamente) ser absolvido e dedicar-se posteriormente aos negócios na hotelaria;
UGT - foram precisos 15 anos para absolver os cerca de 35 acusados de desvio de 1,8 milhões de euros do Fundo Social Europeu. João Proença (não sei se conhecem) era um dos acusados desse processo, toda a gente sabe onde ele está agora e o que faz, correcto?(não quero com isto acusar o indivíduo, apenas relembrar factos passados);
Hemofílicos - simplesmente SEM JULGAMENTO, "e esta hein??" 136 hemofílicos foram infectados com o vírus da Sida, 56 acabaram por falecer e apesar da ministra Leonor Beleza, ter sido acusada de conscientemente ter importado e propagado o sangue contaminado, tal acusação acabou por prescrever (uma das palavras mais comuns que podemos encontrar associadas à justiça portuguesa) e como tal....
Ministério da Saúde - Zezé Beleza (deve ter qualquer grau de parentesco com a senhora do caso anterior, será que não são irmãos??, ou será só impressão minha??) juntamente com Costa Freire do ministério da Saúde, são acusados de corrupção. Resultado: 17 anos de acusação até prescrever (ora cá está ela mais uma vez);
Universidade Moderna - José Braga Gonçalves acusado de desvio de dinheiro, é condenado (que estranho) a cumprir 12 anos de prisão, cumpre somente cinco e já se encontra em liberdade. registe-se aqui que o nome Paulo Portas, ligado inicialmente ao acaso, escapa ileso ao mesmo;
Aquaparque - nove anos de espera, após recurso, para o Estado pagar uma indemnização de 600 mil euros (120 mil contos antigos) aos pais das 2 crianças lá falecidas;
Casa Pia - seis anos depois e.............! Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos!
Apito Dourado - um condenado (Valentim Loureiro), outros por julgar nomeadamente Pinto da Costa. Regista o "Expresso" que o processo "levou 7 anos a chegar aos tribunais e cinco às salas de cinema";
Submarinos - Paulo Portas (parece-me que já li este nome anteriormente por aqui) o homem que ao comprar submarinos eventualmente, poderá ter-se enganado no pagamento via transferência bancária, acabando (sem querer, claro) por fazer desaparecer 30 milhões de euros, os quais até hoje niguém sabe por onde andam. Bom, ninguém não será bem assim, se calhar a malta do CDS-PP poderá dar algumas pistas sobre o "pilim", mas 5 anos de investigação e adivinhem.....sem desenvolvimentos! Quer isto dizer......Prescrição (ora cá está ela mais uma vez);
Portucale - já após a derrota nas legislativas o PSD assina um despacho que viabiliza o abate de 2600 sobreiros (coisa pouca) para a construção de um empreendimento turístico do grupo Espírito Santo. Três ministros foram envolvidos nesta táctica, existindo actualmente 11 acusados de crime de abuso de poder e tráfico de influências. Mais uma "novela jurídica" que aguarda pelos próximos capítulos, mas todos nós já sabemos onde isto vai parar....à tal palavra;
Furacão - o maior de todos estes processos, com cerca de 300 arguidos. Os quais estão envolvidos na fuga ao fisco de mais de 200 milhões de euros, entre negócios altamente duvidosos, os quais transformaram o BPN na mais recente descoberta científica da "astronomia financeira portuguesa" em virtude de estarmos perante um genuíno" buraco negro". Para já, acusados nem vê-los, e muito menos fim à vista para o cito "maior processo de crime financeiro em Portugal".
Será que ainda dá para acreditar no sistema jurídico, tal como ele está e se comporta? Afinal Kafka, já sabia muito bem como se desenrolava todo este "PROCESSO".
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Qual é coisa qual é ela...
Qual é coisa qual é ela que exerce o poder há já 3 décadas. Que tem uma personalidade, assim para o “truão”, e que por isso embaraça, insulta e bota-abaixo adversários políticos e até membros do seu próprio partido. Durante o Estado Novo foi protegido pelo seu tio Agostinho Cardoso, que era um grande salazarista naquela região. Aliás, o seu partido, naquela região, absorveu os antigos quadros salazaristas. Construiu inúmeros túneis, viadutos e vias-rápidas com elevadas somas de dinheiro vindas de Lisboa e de Bruxelas. A estação de televisão daquela região é controlada por ele, as rádios privadas recebem subsídios estatais e o único diário público em Portugal que serve de instrumento político e que é vendido a um preço simbólico de dez cêntimos por a lei proibir que seja gratuito. A administração regional emprega uma considerável parte daqueles habitantes, logo esse conjunto de burocratas nunca votaria contra ele. A dívida que ascende já a 3000 milhões de euros e que equivale a metade do PIB regional e que passa impune num “Parlamento que não exerce as suas funções de fiscalização (...) [e que não está sujeito] a nenhum regime de incompatibilidades, caso único em Portugal, o que lhes permite fazer negócios à margem do Governo”.
Solução (só para os mais desatentos): a personagem bem real (infelizmente) é Alberto João Jardim.
Estes são alguns dos factos abordados no artigo publicado no jornal “El País” pelo jornalista Francesc Relia. No mesmo artigo Alberto João Jardim é apelidado de “Presidente Eterno” e comparado com Muammar Kadhafi, que é o único Presidente, no activo, que o supera em termos de duração de mandato (39 anos).
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Quem fala a verdade não merece castigo
Infelizmente essa máxima não se aplica quando se dizem umas verdades sobre os ricos e poderosos. A jornalista Salete Ramos (video abaixo) foi demitida da TV Cultura após ter mostrado indignação e revolta contra as taxas absurdas cobradas pelos Bancos. A cumplicidade do Governo Federal do Brasil em relação ao saque dos Bancos e à gula por impostos também fizeram parte dos justos ataques desta grande jornalista. Pena que faltam mais jornalistas com esta íncrivel coragem!
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Um Canal de Notícias no Mínimo Alternativo
Procurando fugir aos tentáculos do controlo quer seja estatal quer seja privado - tal como Chomsky refere - aqui vos deixo um canal de notícias no mínimo alternativo a todos os grandes grupos de Media que dominam o mercado, procurando levar a cabo um jornalismo minimamente isento e explorando os diversos pontos de vista!












