Se o poder da lei da atracção funciona é porque grande parte da população mundial estava desejando ficar sem emprego, desejava um mundo mais injusto, desejava mais miséria, desejava mais fome, desejava mais guerra, desejava mais doenças, desejava mais crimes, etc. A única coisa que funcionou no livro e filme “O Segredo” foi o enriquecimento da sua autora (Rhonda Byrne) e restante quadrilha.
A ideia de termos o Universo como nosso criado particular, bastando olhar para o catálogo dos nossos desejos, visualizá-los e desejá-los com veemência para que o Universo, a partir daí encarregar-se de satisfazer as nossas vontades soa a algo metamorfoseado da lâmpada de Aladino, numa versão hodierna, mas na qual não há limite de desejos. Que espectáculo!!
Se há algo que me dá a volta ao estômago é quando me falam que a lei da atracção anunciada no livro "O Segredo" está comprovada cientificamente. De facto a Lei da Atracção está comprovada cientificamente, mas não tem nada a ver com aquela que é propalada no livro e filme. Rhonda Byrne assevera que o igual atrai o igual, asneirada que entra logo em conflito com a máxima científica de que os opostos se atraem ou o igual repulsa o igual. Os nossos pensamentos são como magnetos é o que a espertalhona da australiana diz. Nada mais estúpido, visto que todos deveríamos saber que se colocarmos dois pólos magnéticos diferentes e os aproximarmos (norte de um, com o sul de outro), haverá uma atracção entre os dois imãs. Se, pelo contrário, colocarmos dois pólos magnéticos iguais e os aproximarmos (por exemplo, norte de um próximo ao norte do outro), haverá uma repulsão entre os dois.
Ronda Byrne dá também o exemplo do diapasão. Se tivermos 3 diapasões de igual calibragem, basta batermos com um numa superfície que os outros dois vibrarão também. Talvez seja dos poucos exemplos mais bem conseguidos. Porém, isto poderá ser verdadeiro para os diapasões, mas não será, de todo, verdadeiro para as pessoas nem para os seus desejos.
Vamos agora para a parte mais teórica, chata e menos estimulante. A Lei da Atracção existe e foi descoberta por Isaac Newton. O que a Lei da Atracção ou da Gravitação Universal teoriza é que dois objectos quaisquer se atraem gravitacionalmente por meio de uma força que depende das massas desses objectos e da distância que há entre eles. A Gravitação universal é a força de atracção que age entre todos os objectos por causa da sua massa, isto é, a quantidade de matéria de que são constituídos. A gravitação mantém o universo unido. Por exemplo, ela mantém juntos os gases quentes no sol e faz os planetas permanecerem nas suas órbitas. A gravidade da Lua causa as marés oceânicas na terra. Por causa da gravitação, os objectos sobre a terra são atraídos em sua direcção. A atracção física que um planeta exerce sobre os objectos próximos é denominada força da gravidade. Esta lei também permite que a ignorância das pessoas (que confundem a lei da atracção) se mantenha unida no planeta Terra. Estou brincando, claro!
A ideia de que os pensamentos de uma pessoa "atraem" o que acontece com ela tem, também, mais dois grandes problemas:
1. Um é o chamado "paradoxo da prece", estipulado há séculos por Voltaire: se eu rezo pedindo chuva e meu vizinho reza pedindo sol, como poderemos ser os dois atendidos? Em termos de ambições humanas, o facto é que só existe um campeão do Campeonato do Mundo de Futebol, um recordista mundial dos 100 metros, um presidente da Coca-Cola e uma pessoa no seu emprego - você. Se todo o mundo que quer essas coisas usar 'O Segredo', o que acontece?
2. Transforma as vítimas em culpados. Um exemplo extremo usado pelos adeptos da "lei da atracção" é o Holocausto: seis milhões de judeus "atraíram" o nazismo e as câmaras de gás com seus pensamentos negativos...
Todos nós sabemos que toda a grande mentira tem sempre uma fracção de verdade para se propagar com eficácia. Se estivermos a passar por uma depressão as probabilidades de conseguirmos conquistar coisas boas para a nossa vida serão mais ínfimas do que se, pelo contrário, estivermos motivados e optimistas. Estes dois estados positivos de "espírito" funcionam quase como combustível, os quais nos permitem agir e lutar pelos nossos objectivos.
Agora vou fazer uma experiência, vou desejar com muita força para que eu seja o totalista do Euromilhões. Se ganhar retiro tudo o que disse. Lá estou eu na brincadeira mais uma vez!
Fontes:
Wikipedia - Imans
Wikipedia - Lei da Gravitação
Salon
Blog - Ideias Cretinas
Youtube
sexta-feira, 6 de março de 2009
O Segredo, Lei da Atracção e tretas quejandas
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Frans Lanting: Uma Visão Lírica da Vida na Terra
Numa magnífica passagem de slideshows, o celebrado fotógrafo naturalista Frans Lanting, apresenta "The LIFE Project", uma colecção de fotografias poéticas que contam a história do nosso planeta, desde as erupções iniciais até à diversidade actual. A excelente banda sonora é da responsabilidade de um senhor de nome Philip Glass. Mais uma produção TED.
Frans Lanting, é um dos maiores nomes da fotografia naturalista dos nossos tempos, sendo que o seu trabalho muitas vezes possa ser apreciado na famosa revista - National Geographic.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
A Caixa de Skinner e as superstições na vida animal
Uma esmagadora maioria de nós, seres humanos, tem superstições. Só para enumerar algumas: evitar passar debaixo duma escada; não entornar sal em cima da mesa; não partir espelhos; entrar sempre com o pé direito na sala onde se irá fazer um exame; ter pavor das sextas-feiras 13; evitar o número 13; entre milhares de tantas outras.
Porém, não somos os únicos seres vivos a procurar padrões estatísticos não aleatórios na natureza ou mesmo a cometer erros a que poderemos chamar de superstições. As superstições existem também no reino animal, tal como foi provado pelas experiências do famoso psicólogo B.F. Skinner. Na década de 30 do século passado Skinner desenhou uma caixa, que mais tarde haveria de ficar conhecida com o seu nome, que nada mais é que um aparelho simples, mas versátil, para estudar a psicologia de, geralmente, um rato ou um pombo. É uma caixa com um ou vários interruptores inseridos numa das paredes que o pombo, por exemplo, pode accionar com o bico. Possui também um mecanismo de alimentação (ou outro tipo de recompensa) que funciona electricamente. Estes dois sistemas estão ligados de tal forma que a bicada do pombo faz funcionar o mecanismo de alimentação. No caso mais simples, cada vez que o pombo debica a tecla obtém comida. Os pombos aprendem rapidamente a lição. Os ratos também e, em caixas de Skinner adequadamente aumentadas e reforçadas, também os porcos.
O mecanismo pode estar regulado de forma que, em vez de todas as bicadas serem recompensadas, apenas uma em cada 10 bicadas o é. Mas numa dada ocasião, o número exacto de bicadas requerido é determinado aleatoriamente.
Pode também haver um relógio que determine quando uma bicada dá origem a uma recompensa, sendo no entanto impossível dizer qual será esse período.
Podem ser forçados a um horário em que apenas uma proporção muito pequena de bicadas é recompensada. É interessante verificar que os hábitos adquiridos nestes casos de recompensas ocasionais são mais duradouros do que aqueles que são adquiridos quando todas as bicadas são recompensadas: o pombo é desencorajado menos depressa quando o mecanismo de recompensa é totalmente desligado. Os pombos e os ratos são, portanto, estatísticos bastante bons, capazes de apreender facilmente pequenas leis de padronização estatística no seu mundo. É presumível que esta capacidade lhes seja tão útil na natureza como na caixa de Skinner. A vida é rica em padrões; o mundo é uma grande caixa de Skinner.
Mais tarde, em 1948, experimentou uma variação brilhante da técnica básica: eliminou totalmente a relação causal entre o comportamento e a recompensa. Programou o aparelho para "recompensar" o pombo de tempos a tempos independentemente do comportamento da ave. Assim, as aves tinham apenas de descansar e esperar pela recompensa. E é aqui que toda a experiência se torna mais interessante, de facto, as aves não descansaram à espera da recompensa. Em vez disso, em 6 de cada 8 casos, desenvolveram - exactamente como se estivessem a aprender um hábito recompensado - aquilo que Skinner designou como comportamento "supersticioso". Exactamente em que consistia este comportamento variava de pombo para pombo. Uma das aves girava sobre si própria como um pião, duas ou três voltas no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, entre "recompensas". Outra empurrava a cabeça em direcção a um dado canto superior da caixa. Uma terceira ave abanava-se como se como se levantasse uma cortina invisível com a sua cabeça. Duas aves desenvolveram independentemente um hábito rítmico e "pendular" da cabeça e do corpo. Skinner utilizou a palavra superstição porque as aves se comportavam como se pensassem que o seu movimento habitual tinha influência causal no mecanismo de recompensa, quando de facto não tinha.
Portanto para a próxima já sabe, antes de fazer um exame e entrar na sala com o pé direito isso não lhe vai adiantar nada no caso de não estudar. Mas se preferir ter comportamentos supersticiosos iguais aos dos ratos e dos pombos, tudo bem.
Fonte: Dawkins, Richard - Decompondo o Arco-Íris - 1998 - Editora Gradiva - págs. 190-192
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
O Novo Ateísmo de Richard Dawkins
Richard Dawkins, professor da Oxford university, biólogo evolucionista, é actualmente um dos grandes nomes daquilo a que muitos designam de "Novo Ateísmo".
O vídeo que aqui vos deixo, é mais uma produção da TED e resumidamente encontra-se dividido em 4 partes: a 1ª onde o autor reafirma a ideia de que todos nós devemos combater a teoria Criacionista; a 2ª onde questiona o porquê de não se poder criticar a religião; a 3ª parte onde Dawkins afirma que a Ciência nunca deverá ser seduzida pela religião; e por fim a última parte onde fica um apelo a que todos os Ateístas simplesmente se manifestem!
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Paleontologia - A conquista da terra começou por um pescoço
Dois anos e muito estudo depois, a anatomia interna do crânio do fóssil mostra os passos intermédios da transformação das estruturas que levaram animais incapazes de mexer a cabeça a seres que não precisam de água para se sustentar.
“Pensávamos que esta transição do pescoço e do crânio fosse uma passagem rápida”, disse um dos autores do estudo publicado amanhã na revista Nature, Neil Shubin, da Universidade de Chicago. “Faltava-nos a informação sobre os animais intermédios. O Tiktaalik preenche este buraco morfológico. Mostra-nos muitos dos passos individuais e esclarece a questão do timing nesta transição complexa.”
O vertebrado viveu há cerca de 375 milhões de anos no Devónico. Era um predador com 1,80 metros e vivia em águas pouco profundas. Os ossos foram descobertos em 2004 na ilha de Ellesmere, no Canadá. Tinha o crânio, o pescoço, as costelas e parte dos membros como os tetrápodes, mas as mandíbulas primitivas, as escamas e as guelras eram iguais aos dos peixes.
Os novos estudos deram mais informação. “Vemos que as características do crânio que antes eram associadas a animais que viviam em terra apareceram primeiro como adaptações a águas pouco profundas”, explicou o primeiro autor do estudo, Jason Downs.
A cabeça do Tiktaalik tinha uma construção mais sólida do que os seus antepassados e era móvel relativamente ao resto do corpo, o que permitia sustentar-se no leito dos cursos de água. O fóssil tinha um osso mandibular que nos peixes coordena o movimento, a alimentação e a respiração, mas muito reduzido. Nos tetrápodes a estrutura também é mínima e evoluiu para um dos ossos do ouvido. Todas estas mudanças foram essenciais para o que estava por vir, a colonização da terra.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Mas que raio estamos ensinando às nossas crianças!?
"Um extra-terrestre, recém-chegado à Terra, examinando o que mostramos às crianças na televisão, na rádio, no cinema, nos jornais, nas revistas, na banda-desenhada e em muitos livros, poderia facilmente concluir que estamos determinados a ensiná-los a assassinar e a violar, a incutir-lhes crueldade, superstição, credulidade e consumismo. Continuamos a fazê-lo e, através da repetição constante, muitas delas finalmente aprendem. Que espécie de sociedade poderíamos criar se, em vez disso lhes oferecêssemos ciência e lhes incutíssemos um sentido de esperança?"
Já dizia assim, e muito bem, o saudoso Carl Sagan no seu livro "Um Mundo Infestado de Demónios".
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
A experiência científica do século iniciou hoje
Finalmente estamos prontos e temos a tecnologia necessária para descobrir muito mais sobre o nosso ignoto Universo, inclusive até dar a resposta à questão milenar de como terá sido ele criado. Essa tecnologia está localizada na fronteira entre a Suiça e a França, num túnel com 27 quilómetros de circunferência, construído 100 metros abaixo do solo, foram instalados quatro grandes detectores, no interior dos quais vão produzir-se colisões de protões numa velocidade próxima da luz. Vão ser acelerados dois feixes de protões em sentido oposto, produzindo choques que darão lugar a energias tais que recriam as condições do Universo nos primeiros momentos após o Big Bang, ou seja, o nascimento do Universo há 13,700 biliões de anos, explicou Gaspar Barreira (director do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas) à TSF.
Actualmente só conhecemos 4% do Universo segundo João Varela (professor do departamento de Física do Instituto Superior Técnico e investigador do CERN - Centro Europeu de Pesquisas Nucleares), entrevistado pela TSF.
Esta experiência iniciou-se hoje, embora o projecto tenha sido pensado ao longo de 20 anos, envolvendo mais de 40 países e seis mil cientistas, entre os quais há 200 portugueses. Possivelmente este enorme acelerador de partículas estará em funcionamento nos próximos 15 anos. Os primeiros resultados devem aparecer no final deste ano, mas possivelmente irão confirmar aquilo que já sabemos, que a especiosa hipótese de Deus na criação do Universo não é necessária. As primeiras descobertas só devem chegar lá para 2010. Esta será a maior experiência cientifica do século. Entrámos numa nova e excitante fase para a Física.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
1 milhão de dólares para quem provar ter poderes paranormais ou sobrenaturais
James Randi oferece um milhão de dólares a quem provar ter poderes “sobrenaturais”, em condições controladas.
Até hoje ninguém conseguiu convencer James “Amazing” Randi, ilusionista e cético canadiano radicado nos EUA. Ele é, sem sombra de dúvida, uma pessoa muito segura das suas ideias. Afinal está oferecendo 1 milhão de dólares a quem conseguir provar, sem qualquer tipo de subterfúgios, possuir poderes paranormais, seguindo o método científico.
De facto não foram poucos os pretendentes a tão apetecido prémio. Todos foram devidamente desmascarados, alguns de forma humilhante, ao vivo na TV. Um dos mais famosos foi Uri Geller, o mundialmente conhecido “entortador de talheres”. Outro foi Peter Popoff, um famoso pastor tele-evangelista que aclamava curar pessoas com o poder da fé (ver vídeo abaixo).
Poderão ver as pesquisas realizadas por Randi no seu site.
A Fundação Educacional James Randi pretende usar o dinheiro em projectos mais importantes, caso o prémio não seja entregue.
Apressem-se, paranormais! O desafio de James Randi que oferece um milhão de dólares a qualquer pessoa que prove cientificamente qualquer fenómeno sobrenatural será encerrado no dia 6 de março de 2010, 12 anos após sua criação.
Sem dúvida nenhuma, 10 anos foi tempo mais do que suficiente para que algum paranormal, de verdade, aparecesse. Contudo, pode ser que esse paranormal tenha andado distraído e não soubesse da existência desse desafio, pelo que ainda tem mais dois anos para se registar. Esperem aí, um paranormal não saber deste tipo de desafios? De certeza que os espíritos avisar-lhe-iam, as cartas indicar-lhe-iam, os astros informarem-lhe-iam da existência de tal concurso. Falta de informação não pode ser, porque essa gente até é muito "bem" informada.
Se o prémio não for entregue a ninguém, não tenham dúvidas: será, tout court, prova suficiente de que todas as alegações paranormais e sobrenaturais são falsas e que todos esses fenómenos não passam de truques. Poder-me-iam dizer que os verdadeiros paranormais não querem dinheiro (o que seria uma grande treta, diga-se de passagem), pois mesmo não querendo das "verdinhas" poderiam matar 3 coelhos com uma cajadada só, pois poderiam doar 1 milhão de dólares a alguma instituição, fazer um pouco de publicidade e calar a boca dos cépticos.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Brasil: Cidades existiam no que hoje é uma selva
Cientistas norte-americanos descobriram que há cerca de 1.500 anos existiam, no Brasil, cidades naquilo que é agora uma selva habitada por várias tribos, revela um estudo publicado na revista Science.A cultura urbana destas comunidades ancestrais brasileiras era mais complexa do que os antropólogos pensavam, ainda que menos sofisticada do que a da civilização Maia, no México.
A descoberta "requer um repensar do que antes deve ter sido o urbanismo, em várias formas", afirmou um dos autores da investigação, Michael J. Heckenberger, da Universidade da Florida, nos Estados Unidos.
Os especialistas encontraram vestígios de 28 locais habitacionais pré-históricos. A colonização inicial começou há cerca de 1.500 anos e as cidades estudadas estavam datadas entre 750 e 450 anos.
A população local, estimada em 2.500 habitantes em cada cidade, diminuiu drasticamente com a chegada dos europeus.
Segundo os peritos, as povoações estavam ligadas por estradas e canais, havendo uma praça central por onde se passeavam os seus habitantes. Existiam igualmente pequenos estabelecimentos com produtos agrícolas e de pesca.
Cada estabelecimento estava ligado à praça central e orientado na direcção do solstício de Verão.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Carl Sagan - Pálido Ponto Azul (espectacular)
Continuando com a minha homenagem a Carl Sagan, deixo-vos aqui este espectacular video, o qual vos aconselho vivamente a ver e se aperceberem o quanto nós terráqueos somos insignificantes perante este nosso infinito universo.
Carl Sagan - Um Mundo Infestado de Demónios
Carl Sagan sempre foi e continua sendo para mim e para muitos o divulgador científico por excelência.
Conhecido astrónomo e exobiólogo, Carl Sagan teve um papel significativo no programa espacial americano (NASA) desde o seu início. Senhor de um conhecimento científico multidisciplinar e com um talento extraordinário para a escrita legou-nos um formidável acervo de obras, de entre as quais figuram clássicos como Cosmos (que foi transformado em uma premiada série de televisão, acompanhada por mais de meio bilião de pessoas em todo o mundo), Os Dragões do Éden (pelo qual Carl Sagan recebeu o prémio Pulitzer de Literatura), O Romance da Ciência, Pálido Ponto Azul, As Ligações Cósmicas, O Cérebro da Broca, Contacto, Cometa, Variedades da experiência Científica - Uma visão pessoal da busca por Deus, O Mundo Assombrado Pelos Demónios e, Biliões e Biliões. Carl Sagan viria a falecer em 1996 com 62 anos vítima de pneumonia, o mundo perdia assim o maior e mais respeitado divulgador científico de todos os tempos.
De entre todas as suas obras gostaria de destacar hoje o livro O Mundo Assombrado Pelos Demónios.
Alertado pela eminência do limiar duma nova era de obscurantismo e superstição, Carl Sagan deixa-nos nesta obra excitante e controversa a explicação da razão pela qual o pensamento científico é essencial para a salvaguarda das instituições democráticas e civilização tecnológica. Ao longo das páginas desta magnífica obra o autor desmonta alguns dos mais populares mitos e pretensões da «pseudociência», refutando convicentemente o argumento de que a ciência destrói a espiritualidade. Inclusive o célebre cientista deixa-nos algumas dicas para nos ajudar na Arte de Detectar Mentiras, as quais eu resumi nos pontos abaixo:
Ferramentas Básicas
1.Sempre que possível, deve haver confirmação independente dos "factos".
2.Devemos estimular um debate substantivo sobre as evidências, do qual participarão notórios partidários de todos os pontos de vista.
3.Os argumentos de autoridade têm pouca importância - as "autoridades" cometeram erros no passado. Voltarão a cometê-los no futuro.
4.Devemos considerar mais de uma hipótese. Se alguma coisa deve ser explicada, é preciso pensar em todas as maneiras diferentes pelas quais poderia ser explicada.
5.Devemos tentar não ficar demasiadamente ligados a uma hipótese, só por ser a nossa.
6.Devemos quantificar. Se o que estiver sendo explicado é passível de meditação, de ser relacionado a alguma quantidade numérica, seremos muito mais capazes de descriminar entre as hipóteses concorrentes. O que é vago e qualitativo é susceptível de muitas explicações.
7.A navalha de Occam. Essa maneira prática e conveniente de proceder nos incita a escolher a mais simples dentre duas hipóteses que explicam os dados com igual eficiência.
8.Devemos sempre perguntar se a hipótese pode ser, pelo menos em princípio, falseada. As proposições que não podem ser testadas ou falseadas não valem grande coisa. Considere-se a ideia grandiosa de que nosso universo e tudo o que nele existe é apenas uma partícula elementar - um electrão por exemplo - num cosmo muito maior. Mas, se nunca obtemos informações de fora do nosso universo, essa ideia não se torna impossível de ser refutada?
Falácias
Além de nos ensinar o que fazer na hora de avaliar uma afirmação, qualquer bom kit de detecção de mentiras deve também ensinar-nos o que não fazer. Ele ajuda-nos a reconhecer as falácias mais comuns e mais perigosas da lógica e da retórica. Deixo-vos aqui o link para essas falácias, no caso de ser do interesse de algum dos leitores.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Astrologia - A Verdade da Mentira
De todo o tipo de crendices aquela que mais aceitação tem tido ao longo dos séculos, perdurando até aos dias de hoje é a astrologia. Surpreendem-me, por vezes, mesmo algumas das pessoas que eu considero inteligentes virem-me com comentários do tipo:
- “O fulano x é mesmo teimoso!! Vê-se logo que é Escorpião!”
- “O teu bebé é muito giro!! Nasceu no dia 9 de Dezembro, o que faz dele um Sagitário. Irá ser muito criativo, aventureiro, amante da liberdade, despreocupado, etc...”
Há muitos até que só abrem o jornal diário para ver o seu horóscopo.
Porque será que, estando nós numa época com tanta informação disponível, as pessoas ainda não estejam devidamente informadas sobre os erros desta pseudo-ciência? Pois é, existe muita informação, mas muita tem o propósito de propalar este tipo de superstições.
Como nós pretendemos dar que pensar aos nossos estimados leitores, deixamos aqui um conjunto de argumentos para refutar a astrologia:
1.Se Saturno afecta o recém-nascido no nascimento, porque o médico, que está muito mais próximo, não afecta o indivíduo de maneira muito mais profunda?;
2.Porque é que outros corpos, como os satélites de televisão não influenciam o horóscopo? Eles podem ser muito menores que os planetas mas estão muito mais próximos;
3.Por que é que a data importante é a do nascimento e não o da concepcão? Uma mulher que faz cesariana está influenciando na personalidade de seu filho?;
4.Se o útero “protege” a criança da influência astrológica, porque é que um indivíduo dentro de casa não fica, também, protegido das influências astrológicas?;
5.O sistema zodiacal não se alinha com as estrelas que os astrólogos estudam.Os signos não estão localizados onde os astrólogos onde os astrólogos afirmam que eles estão. Na verdade, onde os astrólogos dizem que está o signo de Caranguejo, por exemplo, está o signo de Gémeos. Isso tem a ver com o movimento da Precessão dos Equinócios;
6.Devido à mesma Precessão dos Equinócios, os Astrólogos ignoram o facto de que a Constelação de Ofiúco faz parte do zodíaco;
7.Os Astrónomos consideram que nossa visão dos céus muda com o passar do tempo, já os astrólogos possuem visão fixa e imutável;
8.Se o Ascendente é tao importante, como se faz o horóscopo em lugares de latitudes muito altas, onde mais de uma constelação da eclíptica está visível ao mesmo tempo?;
9.Se a astrologia é um conhecimento “sério”, como é que existem tantas linhas incompatíveis? Depois de tantos séculos era de se esperar que houvesse uma confluência;
10.Sabe-se que as pessoas concordam com absolutamente tudo o que falam sobre elas. As pessoas tendem a ter memória selectiva em relação à astrologia, ou seja, como geralmente funciona através da fé, são mais vulneráveis a aceitar os acertos desta enquanto que os erros passam-lhes ao lado.Um grupo muito grande de pessoas se identificou, quando pesquisada, com a descrição que foi feita para o mapa de um serial killer;
11.Ainda não foi possível comprovar que a força gravitacional possa alterar a personalidade de uma pessoa;
12.Os cientistas afirmam que as forças que nos influênciam são as energias: Nuclear fraca, Nuclear forte, Magnética e Gravitacional. Mas nenhuma delas influência a nossa personalidade, a constituição física, nem o nosso futuro;
13.A astrologia moderna ainda está assente sob a teoria Geocêntrica (teoria que como todos sabemos foi ultrapassada pela teoria Heliocêntrica);
14.O surgimento da astrologia deu-se no Egipto ou na Suméria (ainda não há um consenso em relação a este assunto por parte dos Historiadores). O nome dos signos do Zodíaco foram dados porque a configuração das estrelas (que não tinham relação nenhuma entre si, tanto que distam umas das outras por vários milhões de anos luz) se assemelhava aos Deuses da Antiguidade.
Os argumentos pseudo-científicos dos astrólogos
Os astrólogos, algumas vezes, usam alguns argumentos científicos (ou pseudo-científicos) para explicar as suas práticas. Por exemplo, costuma-se dizer que, como a Lua causa as marés na Terra, é razoável acreditar que a força gravitacional de outros corpos celestes, mais pesados como os planetas pode nos afectar também. Este argumento é inválido por duas razões, vejamos:
1.O puxão gravitacional de um planeta como Saturno, com massa 90 vezes maior que a da Terra, em uma pessoa daqui da Terra é igual ao puxão gravitacional de um carro a 1,7 metros desta pessoa. Ainda assim os astrólogos não parecem interessados na posição dos carros no hora do nascimento de ninguém, ou mesmo se a pessoa nasceu num parque de estacionamento. Na verdade o campo gravitacional da Terra é variável em toda a superfície, e ele próprio varia mais de lugar para lugar sozinho, do que devido à presença dos planetas mais pesados do sistema solar. Vale frisar, no entanto, que muitos astrólogos consideram que a influência exercida pelos planetas não é a gravitacional. A astrologia não oferece qualquer explicação plausível e testável de como a força gravitacional pode afectar a personalidade de uma pessoa, por que somos susceptíveis ao efeito gravitacional durante o nascimento nem de como uma influência gravitacional no passado pode afectar o nosso destino futuro;
2.O sistema do Zodíaco tropical usado pelos astrólogos do ocidente não se alinha com as estrelas que eles dizem estudar. Quando os astrólogos dizem que um planeta está em uma determinada constelação (signo do Zodíaco), eles não estão falando de estrelas que um observador possa sair fora à noite e observar. Eles estão falando sobre uma parte do céu que, uma vez, há 2000 anos, coincidiu com aquela constelação específica. Isto é devido à precessão do eixo terrestre enquanto a Terra gira. Isto significa que todas as estrelas no céu têm uma posição 24 graus à frente de onde elas estavam 2000 anos atrás, como visto por um observador aqui da Terra. Enquanto os cientistas conhecem este facto e o entendem, a grande maioria dos astrólogos ignoram este facto. O resultado é que quando um astrólogo diz que um tal planeta está em uma determinada constelação, o astrónomo sabe que ele na verdade está na seguinte.
Críticas científicas à metodologia astrológica
Uma vez que alguns astrólogos dizem ser capazes de fazer previsões sobre o futuro, deveria ser possível construir uma experiência para medir a precisão destas previsões. Aqui poderia-se usar o mesmo método usado para a Meteorologia que é usada para prever o tempo. A Meteorologia é uma ciência exacta, não porque as previsões sejam exactas, mas porque ela oferece os meios de prever e estimar o erro da previsão. Portanto um meteorologista não diz "amanhã vai chover", e sim, há fortes possibilidades de chuva para amanhã. Neste sentido nenhuma das experiências realizadas até hoje com a astrologia foi capaz de mostrar certeza maior do que a que se consegue por puro palpite.
Claro que alguns astrólogos dizem que a astrologia não é usada para prever o futuro, e sim para guiar e orientar os seus clientes através de padrões de comportamento, hora de nascimento, etc. Ainda assim, testes usando dois grupos de controlo (double blind tests) mostraram que a taxa de acerto de um astrólogo ao casar uma carta astrológica com o perfil de um cliente não tem uma taxa de acerto maior que um pessoa leiga, fazendo associações aleatórias de clientes e cartas astrológicas.
Os astrólogos que usam o Zodíaco tropical, como quase todos no ocidente o fazem, usam um ponto arbitrário no passado como base para suas interpretações dos céus. O Zodíaco de há 2000 anos atrás não possui nenhuma característica especial na Astronomia. Se formos 4000 anos para o passado, vamos achar a constelação de Touro como a constelação no Equinócio de Primavera (hemisfério sul), recuando-se mais 6000 anos a constelação de Gémeos vai estar no mesmo ponto. Os astrónomos entendem e levam em consideração o facto de que a nossa visão dos céus muda com o passar do tempo, ao passo que os astrólogos usam uma visão fixa e imutável da realidade.
Alguns astrólogos assumem que as constelações ocupam uma área de tamanho igual no Zodíaco, de aproximadamente 33 graus, mas na verdade existe uma variação considerável de 44 graus Virgem até 20 graus para Caranguejo.
A constelação de Ofiúco (Serpentário) foi reconhecida pelos antigos Gregos como parte do Zodíaco. Ela contém o Sol uma vez por ano (no final de Dezembro), e os planetas em várias outras épocas. Mesmo Ptolomeu, um dos grandes astrólogos da Antiguidade, reconheceu isto e reconheceu também que ela contém o Sol uma vez por ano. Ainda assim os astrólogos, incluindo Ptolomeu, ignoram o facto.
Outro tentativa de explicação científica para a astrologia é a de que os corpos celestes pesados afectam o campo magnético da Terra e que o campo magnético da Terra, de alguma forma, afecta a pessoa durante o nascimento. O problema é que o campo magnético da Terra é extremamente fraco se comparado com outras fontes. Ele varia de 0,3 Gauss a 0,6 Gauss dependendo do ponto na Terra. Pode-se ter um campo magnético muito maior que este usando-se apenas um imã de geladeira.
A astrologia antiga conhece apenas até ao planeta Saturno e os trans-saturnianos foram baptizados por não astrólogos, assim é difícil crer que possam ser usados nas análises modernas. Alguns astrólogos modernos também reconheciam Plutão como planeta principal, enquanto Éris foi descoberto na década de 2000 provando que poderiam haver vários outros corpos celestes pequenos e similares.
O mapa astral é elaborado a partir do nascimento de um indivíduo, ou objecto, ou país. Por que seria o momento do nascimento tão importante? Por que não o da fecundação, onde efectivamente se define o ADN de um zigoto, elemento biológico reconhecidamente influenciador da personalidade e constituição física de um indivíduo? Uma mulher que marca uma cesariana não estaria mudando o destino cósmico de seu filho? E o que marca esse momento? Se um parto que pode demorar até 20 horas, o que define o instante exacto? As primeiras contracções, o estouro da bolsa, o aparecimento da cabeça do bebé pela vagina (ou corte da cesariana) ou o corte do cordão umbilical? Talvez fosse ainda, o momento mais provável de ser o utilizado na grande parte dos mapas, aquele que um médico ou enfermeiro resolve anotar como sendo a hora do nascimento. No caso de nascimento de um país ou objecto, a definição de um instante exacto é ainda mais subjectiva. Alguns astrólogos consideram que o que determina o tema de uma pessoa é o momento em que ocorre a primeira respiração.
Sendo ainda o momento do nascimento decisivo para a personalidade de um indivíduo, por exemplo, para a formação de um grande atleta, não seria de se esperar que numa olimpíada houvesse uma grande concentração de atletas rivais que tivessem nascido no mesmo instante?
Para rir
Porque é que não previu um acontecimento tão importante como o terramoto em Los Angeles? Enfim! É como a velha piada da Madame Aramis, vê tudo, sabe tudo, passado presente e futuro, e quando batemos à porta ela pergunta “quem é?”.













