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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Breves: multas, políticos, carnaval e redes sociais

5000 euros é a multa que Domingos Névoa (Bragaparque), terá de pagar por tentativa de corrupção activa sobre o vereador da Câmara Municipal de Lisboa - Sá Fernandes. Será caso para questionar, será que o crime afinal não compensa? Convém referir que a dita tentativa, envolvia verbas no valor de 200 mil euros.

Pedro Passos Coelho, referia numa entrevista de vida muito recentemente, que uma das obras que muito apreciou na sua juventude foi a "Fenomenologia do Ser" de Sartre, que na realidade faz do próprio um autêntico privilegiado, fazendo a inveja aos ditos existencialistas, já que estamos perante uma obra de Sartre que não existe!
Isto de alguns políticos armarem-se em cultos, por vezes pode dar para o ridículo!

O Carnaval já lá vai (felizmente), fazendo uma análise resumida à dita época, conclui-se o seguinte: mais um ano, mais corsos trapalhões e pindéricos, "iluminados" por tristes pseudo-estrelas que manifestam alegrias puramente contratuais e onde no fim a temática é sempre a mesma: o eterno desejo de imitar o "país irmão", a piada e sátira política demagógica e um certo nível de ordinarice rasca. Mas se "é disso que o meu povo gosta" (pegando numa das frases do "mítico" Jorge Perestrelo), seja feita a sua vontade!

Segundo o jornal "Expresso" 2,6 milhões de portugueses estão nas redes sociais, tornando-nos no 3º país da Europa com mais adeptos. Dados interessantes que nos obrigam a pensar cada vez mais no funcionamento das sociedades do futuro que aí vêm. A aceleração veio mesmo para ficar!

Vital Moreira é o nome escolhido pelo PS para encabeçar a lista das Europeias. Pessoalmente parece-me uma boa escolha. No entanto, tal é o resultado duma viragem "à esquerda" que Sócrates faz neste momento, a qual todos nós - pelas mais variadas razões - percebemos porquê. Noutro contexto será que a escolha mantinha-se?

O Congresso do PS praticamente terminou (à força de um apagão), e do mesmo pode-se retirar as seguintes conclusões:
os vencedores ( já esperados): Sócrates
os vencedores (não esperados): Bloco de Esquerda- quem diria!?
os derrotados: PSD e Manuela Ferreira Leite, os quais só foram referidos numa breve cortesia. Para o principal partido da oposição a coisa de facto está mesmo má.

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Já fui ver e gostei - "Quem Quer Ser Milionário"

Mesmo apesar do filme "Quem Quer Ser Milionário" ter ganho 8 Oscares da academia, confesso que ao ir ver o filme ia com as expectativas baixas, visto que o género Bollywood nunca foi o meu forte. Estava enganado.

O filme retrata a infância e adolescência de Salim e Jamal, dois irmãos de um bairro-da-lata em Mumbai que, após a morte de mãe, fogem e são obrigados a aprender e viver num ambiente mais hostil e violento, por força das circunstâncias. Acompanhados de uma menininha (Latika). Eles passam por momentos de fome, abuso e falta de perspectiva.

Anos mais tarde depois dos 3 terem seguido rumos diferentes nas suas vidas, Jamal continua insistentemente procurando o grande amor da sua vida, ou seja, Latika. Ao saber que ela segue com muita atenção o "Quem Quer Ser Milionário" ele decide inscrever-se no concurso.

Jamal, apesar de quase analfabeto ganha onde os mais cultos perdem. Porquê? Como? batota ou destino?

Uma excelente sugestão para ver algo de diferente. É diferente de Bollywood e de Hollywood, embora tenha algumas influências dessas duas grande máquinas de cinema, mas sem dúvida tem o cunho muito forte de Danny Boyle.

Embarque nesta viagem à Índia profunda.

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Estarão as redes sociais a mudar o nosso cérebro?

Li hoje no DN e não resisti a postar este artigo interessantíssimo e pertinente, que levanta questões de enorme relevância para o futuro quer do foro individual, quer do ponto de vista social.

Neurologista inglesa alerta para consequências do Facebook O Facebook e o Twitter estão a mudar a forma como pensamos. Ao que parece, literalmente. Uma prestigiada neurologista britânica diz que os efeitos culturais e psicológicos das relações online vão mudar o cérebro das próximas gerações: menos capacidade de concentração, mais egoísmo e dificuldade de simpatizar com os outros e uma identidade mais frágil são algumas das consequências que Susan Greenfield antecipa.

O alerta da especialista surge na mesma semana em que foi divulgado que Portugal é o terceiro país europeu que mais utiliza as redes sociais na Internet - de acordo com a Marktest, só em Março passado, os portugueses dedicaram quatro milhões de horas a estes
sites. "Uma geração que cresce com novas tecnologias e num ambiente cultural diverso vai ser naturalmente diferente: da forma como processa os pensamentos, à moral e comportamentos", concorda o neurologista Lopes Lima. No entanto, será uma geração mais adaptada às circunstâncias actuais - "faz parte da evolução humana", diz.


Também o psiquiatra Álvaro de Carvalho considera que é inevitável que esta adesão às redes sociais e ás novas formas de comunicar "induza uma forma de funcionamento mental diferente: que tem aspectos negativos, mas também positivos.". Na Câmara dos Lordes inglesa, Susan Greenfield salientou os negativos: a directora do reputado Royal Institution of Great Britain acredita que a exposição das crianças à rapidez da comunicação pode acostumar o cérebro a trabalhar em escalas de tempo muito curtas e aumentar as distúrbios de défices de atenção. Além disso, salienta a preferência pelas recompensas imediatas, ligada às áreas do cérebro que também estão envolvidas na dependência de drogas.



"Há o risco de não valorizar aspectos da vida que não são atractivos no imediato, enquanto se vai mais atrás do prazer rápido", concorda Álvaro de Carvalho. "Nas crianças, aquilo que é óbvio é que as novas formas de comunicação, menos presenciais, criam um modelo de interacção menos humanizado, muito menos rico a nível emocional, já que a capacidade de sentir o outro é limitada", diz o psiquiatra.



Ou seja, a capacidade de desenvolver empatia pelos outros também pode ser afectada. Esta mudança preocupa o neuropsicólogo Manuel Domingos. "Há pessoas que privilegiam a conversa atrás do teclado, onde podem ficar escondidas", diz. Por isso, apesar de aparentemente facilitar a comunicação, acaba por a simplificar de mais, argumenta.




Para Álvaro de Carvalho, neste momento, ainda estamos a assistir à implementação d e um novo modelo e por isso há muita especulação. "Há mais perguntas que respostas", reconhece o psiquiatra.

Fonte: DN
Já aqui tinha levantado a questão da Dromologia, pois bem aqui temos mais um estudo que se "encaixa" nesta teoria social de Paul Virilio.

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

"Jesus" procurado por toda a Europa


O agente secreto russo Serguei Iakovlev, que servia de elo de ligação com Herman Simm, funcionário do ministério da Defesa da Estónia, e que tinha passaporte português, é procurado em toda a Europa, noticia hoje a imprensa estónia. Este espião, com nome de código 'Jesus', passou informações classificadas da NATO para a Rússia. Entretanto, o Tribunal do Bairro Hariumaa, em Tallinn, condenou Herman Simm por espionagem a favor da Rússia a uma pena de prisão de 12 anos e seis meses e a uma multa de 1,3 milhões de euros. Simm e a sua esposa foram detidos em finais de Setembro de 2008, tendo sido acusados de transmitir informações secretas à Rússia. Segundo a imprensa estónia, Siim e a esposa conseguiram transmitir cerca de três mil documentos secretos aos serviços secretos russos.

Na acusação, escreve-se que Simm entregava os documentos aos oficiais russos Valeri Zentsov e Serguei Iakovlev, trabalhando este último com um passaporte português (tinha que ser, o tuga metido à "bronca") passado em nome de António de Jesus Amorett Grafa.

A imprensa estónia escreve que foi emitido um mandado de captura europeu (European Arrest Warrant) contra Iakovlev-Jesus. Em 1995, Simm passou a dirigir a Secão da Política de Defesa do Ministério da Defesa da Estónia e, em 2000, passou a ter sob a sua alçada a Secção de Segurança desse ministério. Em 2006, foi nomeado conselheiro do Ministério da Defesa.

A Secção de Segurança é uma secção do Ministério da Defesa da Estónia que protege segredos de Estado no país. Além disso, Simm dirigiu delegações estónias quando da assinatura de acordos sobre a defesa de informação secreta com países estrangeiros e ocupava-se também da elaboração de sistemas de informação na NATO e União Europeia.

Graças aos cargos ocupados, Simm dispunha de um passaporte diplomático que lhe permitia transportar informação confidencial. Herman Simm tinha acesso aos sistema de cifra da NATO Elektrodat e conseguiu fazê-lo chegar a Moscovo.

Em jeito de conclusão, escrevo que afinal, apesar dos cépticos todos que escrevem, já podemos dizer com toda a certeza, convicção e verdade, que "...ele está no meio de nós..."

Fonte: Expresso On-line

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Países menos religiosos são socialmente mais avançados

Transcrevo abaixo o excelente artigo escrito por Abbadon no Ceticismo.net.

"O que seria de nossas sociedades se Deus simplesmente não existisse para grande parte da população?

Essa foi uma das perguntas que o sociólogo norte-americano Phil Zuckerman certamente tinha em mente ao dar início à sua mais recente pesquisa, que o levou a morar por mais de um ano na Escandinávia, especificamente na Dinamarca e na Suécia. Na bagagem, levava uma pergunta desafiante: como esses dois países, considerados os menos religiosos do mundo em todas as pesquisas prévias, podiam ser os que possuíam os mais altos índices de qualidade de vida, com economias fortes, baixas taxas de criminalidade, alto padrão de vida e igualdade social (em resumo, “contentment”, contentamento, satisfação, como ele chamou no subtítulo de seu livro)?

Zuckerman tinha ainda outro objetivo, mais localizado. Segundo ele, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, a maioria de seus conterrâneos norte-americanos “pensa que qualquer sociedade que deixa de louvar a Deus ou de colocá-Lo no centro de sua cultura será condenada”, ou que “sem uma religião forte, um país se desintegrará no caos, no crime e na imoralidade”. Assim, entrevistando 150 cidadãos dinamarqueses e suecos, ele quis mostrar que, mesmo sem Deus, “é possível que uma sociedade seja forte, saudável, moral e próspera”.

O resultado de sua viagem foi recém publicado em livro, pela New York University Press, intitulado “Society Without God – What the Least Religious Nations Can Tell Us About Contentment” [Sociedade sem Deus – O que as nações menos religiosas podem nos dizer a respeito da satisfação].

Phil Zuckerman é sociólogo, com mestrado e Ph.D. em Sociologia pela Universidade do Oregon. Atualmente, é professor do Pitzer College, em Claremont, no sul da Califórnia.

Também é autor de “Sex and Religion” (Wadsworth, 2005), “Invitation to the Sociology of Religion” (Routledge, 2003), “Du Bois on Religion” (Alta Mira Press, 2000) e “Strife in the Sanctuary: Religious Schism in a Jewish Community” (Alta Mira Press, 1999), dentre outros.

Em sua página no site do Pitzer, está publicado um dos principais artigos de Zuckerman, intitulado Ateísmo: Taxas e Padrões em que ele analisa detalhadamente diversos dados sobre o ateísmo contemporâneo (em inglês). Esse texto faz parte do livro “The Cambridge Companion to Atheism“, organizado por Michael Martin (Cambridge University Press, 2007).

A entrevista:

IHU On-Line – Como você realizou a sua pesquisa na Escandinávia? Qual foi a sua intenção e as suas principais descobertas?

Phil Zuckerman – A maioria dos norte-americanos pensa que qualquer sociedade que deixa de louvar a Deus ou de colocá-Lo no centro de sua cultura será condenada – e que, sem uma religião forte, um país se desintegrará no caos, no crime e na imoralidade. Eu quis mostrar que isso não é necessariamente verdade. Eu quis mostrar aos meus conterrâneos norte-americanos que é possível que uma sociedade seja relativamente irreligiosa e, ainda assim, forte, saudável, moral e próspera.

Há mais ou menos quatro anos, a Cambridge University Press [editora universitária] me pediu para escrever um capítulo de um livro a respeito de quantos ateus existem no mundo. Então, eu passei cerca de seis meses procurando por todas as pesquisas nacionais e internacionais que eu pudesse encontrar. No fim, as pesquisas mostraram que a Dinamarca e a Suécia são, talvez, os países mais irreligiosos do mundo. Muitas pessoas, na Dinamarca e na Suécia, dizem acreditar em Deus, mas muito poucas dão importância a essa crença. Muito poucas pessoas rezam a Deus, ou acreditam que o Deus literal da Bíblia é real, ou acreditam que a Bíblia é divina.

Esses países têm os menores índices de crença na vida após a morte, na ressurreição de Jesus, no céu e no inferno etc. Além disso, têm os menores índices do mundo em termos de participação semanal na igreja. E mesmo assim, apesar de tudo isso, estão entre as sociedades mais prósperas, igualitárias, civilizadas e humanas da Terra. Quando olhamos os níveis de sucesso social, da alfabetização à expectativa de vida, da igualdade de gênero aos padrões ambientais, da saúde à democracia, da criminalidade aos cuidados com os mais velhos e com as crianças, as nações da Dinamarca e da Suécia estão no topo da lista.

Em resumo, a Dinamarca e a Suécia provam que é possível que as sociedades sejam relativamente não-religiosas e ainda assim muito honestas e boas. Eu quis que os meus conterrâneos norte-americanos soubessem disso.

Para entender melhor a falta de religião na Escandinávia, assim como melhor compreender a cultura de lá, eu vivi na Dinamarca durante 14 meses, em 2005-2006. E, durante esse tempo, eu realizei 149 entrevistas em profundidade com dinamarqueses e suecos de todas as classes sociais. Essas entrevistas me permitiram ir mais fundo do que os dados das pesquisas e realmente tentar entender o secularismo escandinavo.

Minhas descobertas principais: dinamarqueses e suecos são, de fato, muito seculares. E, mesmo que eles não tenham crenças religiosas fortes, geralmente são muito satisfeitos. Não acreditam na vida após a morte, mas mesmo assim eles ainda levam vidas repletas e valiosas. E não acham que exista um “significado religioso último” para a vida, e mesmo assim eles ainda aproveitam o seu tempo aqui na Terra e fazem o melhor que podem com ele. Finalmente, eu tentei entender por que essas nações são tão contrárias à religião e em que sentido elas são diferentes dos Estados Unidos no que se refere à religião e à cultura política.

IHU On-Line – Em que sentido a falta de religião está ligada à satisfação das sociedades da Dinamarca e da Suécia?

Phil Zuckerman – A Dinamarca está no topo de todas as pesquisas internacionais que se referem à felicidade. A Suécia também está bem lá em cima. Os dinamarqueses e os suecos parecem ser pessoas razoavelmente satisfeitas. Isso está ligado à falta de religião deles? É difícil dizê-lo. É ainda mais difícil prová-lo. Eu não acho que uma falta de religião, por si só, faça com que os dinamarqueses e os suecos se sintam felizes ou satisfeitos. Pelo contrário, nós só temos que notar que a falta de religião ou a falta de uma conexão forte com Deus parece não levar ao desespero, à depressão, à tristeza ou à apatia. Em outras palavras, a falta de uma fé forte não causa necessariamente a felicidade, mas também não é uma barreira ou um impedimento.

IHU On-Line – Você não concorda que, de certa forma, essas sociedades alcançaram esse bem-estar social por um substrato cristão de raízes antiqüíssimas? O inconsciente coletivo cristão que acompanhou o desenvolvimento dessas sociedades não teve importância nesse sentido?

Phil Zuckerman – Definitivamente. Não se questiona que certos valores cristão, ao longo dos séculos, ajudaram a dar forma a esses estados de bem-estar social. Não se questiona que os ensinamentos de Lutero tiveram o seu papel, assim como a visão religiosa de Grundtvig [1]. Entretanto, devemos ser cuidadosos por diversas razões.

Primeiro, aqueles que construíram o estado de bem-estar social tendiam a ser democratas sociais seculares, que eram, muitas vezes, anti-religiosos. Não foram os dinamarqueses e suecos fortemente religiosos que construíram o estado de bem-estar social. Então, parece um pouco injusto dar muito crédito ao cristianismo, quando foram os dinamarqueses e suecos seculares que verdadeiramente criaram as nações modernas e prósperas da Dinamarca e da Suécia que nós hoje admiramos.

IHU On-Line – Em uma sociedade religiosa, os valores humanos estão baseados em uma concepção que vai além do próprio humano, chegando a Deus. Em que estão baseados os valores humanos em uma sociedade irreligiosa?

Phil Zuckerman – Simples: no valor fundamental da vida humana. Os dinamarqueses e os suecos têm um respeito muito forte pela dignidade humana. Eles criaram sociedades com as menores taxas de pobreza do mundo, as menores taxas de crimes violentos do mundo e o melhor sistema de educação e de saúde do mundo. Eles fizeram isso não como uma tentativa de agradar ou alcançar Deus, mas porque vêem um valor manifesto na vida humana e acreditam que o sofrimento é um mal em e além de si mesmo.

Não é necessário acreditar em Deus para acreditar na justiça. De fato, se poderia argumentar que aqueles que acreditam fortemente em Deus podem ser mais indiferentes e assumir que “tudo está nas mãos de Deus”, enquanto que os seculares sabem que a possibilidade de construir uma vida e um mundo melhores está nas mãos deles e apenas deles. Então, os dinamarqueses e os suecos contaram apenas com o seu próprio esforço – não com orações a Deus.

IHU On-Line – Podemos assumir que uma sociedade irreligiosa não é a garantia do inferno na terra. Porém, quais seriam suas principais limitações e problemas sociais? Quais seriam suas causas?

Phil Zuckerman – Nenhum país é livre de problemas. Nenhuma sociedade é livre de quaisquer erros ou fraquezas. Sim, existem problemas na Dinamarca e na Suécia. Mas eu diria que, independentemente de quais sejam esses problemas, eles comumente são piores em qualquer outro lugar. Quais limitações ou problemas podem surgir em sociedades seculares? Eu não posso dizer com certeza. Eu não tenho resposta.

IHU On-Line – Em seu livro, você afirma que uma “sociedade sem Deus não é apenas possível, como também pode ser moral, próspera e completamente agradável”. Essa é apenas uma constatação ou também uma sugestão? Sua intenção é defender e propor uma sociedade ateísta?

Phil Zuckerman – Eu não tenho nenhum desejo de propor uma sociedade ateísta. Eu acho que a religião pode ser uma coisa boa e moral. Eu acho que a religião oferece histórias e rituais maravilhosos, que os líderes religiosos ajudam as pessoas durante tempos difíceis ou nos ritos de passagem e que a religião – como qualquer criação humana – pode, às vezes, ser uma força potencial do bem no mundo. Eu não estou recomendando que as sociedades se tornem seculares. Eu estou simplesmente tentando mostrar ao mundo que o secularismo não é um mal em ou além de si mesmo, que a religião não é o ÚNICO [sic] caminho para se criar uma sociedade saudável e que precisamos reconhecer que as nações mais religiosas hoje são as mais caóticas, miseráveis e corruptas, e a tendência é que as sociedades menos religiosas hoje sejam as mais estáveis, seguras e humanas. As pessoas podem fazer o que quiserem com essas informações.

IHU On-Line – Na sua opinião, qual a explicação para a grande maioria da população que se considera religiosa em países como o Brasil? Seríamos menos “satisfeitos”?

Phil Zuckerman – Eu não sei se as pessoas são menos satisfeitas e contentes no Brasil por si sós (todo brasileiro que eu já conheci era muito feliz e satisfeito!). O que eu sei é que, no Brasil, vocês têm taxas de pobreza e de criminalidade mais altas, níveis muito altos de desigualdade, de corrupção política, um sistema de saúde mais pobre, uma igualdade de gênero mais fraca etc. Vocês têm centenas de milhares de desabrigados vivendo nas ruas, dezenas de milhares de crianças pedindo comida etc. Claro, vocês também têm Milton Nascimento e Os Mutantes. Então, quem pode reclamar?

IHU On-Line – E nos EUA mesmo, país plenamente “satisfeito” em termos sociais, como o senhor explica a grande expansão de seitas cristãs?

Phil Zuckerman – Explicar a religião nos EUA é um assunto de grande importância – e eu abordo isso no meu livro. Em poucas palavras, os altos índices de religiosidade nos EUA têm a ver com o seguinte: a religião é pesadamente comercializada e agressivamente “vendida” aqui. Nós também temos altas taxas de pobreza, de criminalidade e de desigualdade, nós também temos altos índices de diversidade racial e étnica e um excesso de comunidades imigrantes – tudo isso contribui com a nossa forte religiosidade aqui nos EUA.

IHU On-Line – Em seu livro, você diferencia o ateísmo ditatorial e o democrático, assim como a religiosidade ditatorial e a democrática. Em que se fundamenta essa diferenciação?

Phil Zuckerman – Simples: o ateísmo é forçado sobre a população ou não? Na antiga URSS, a religião se tornou virtualmente ilegal, e as pessoas que eram fortemente religiosas enfrentaram todos os tipos de punições possíveis, incluindo a tortura e a prisão. Esse também foi o caso da Albânia. E da Coréia do Norte. Se uma sociedade é regida por fascistas que impõem o ateísmo sobre uma população relutante, ele não é orgânico. É forçado. Entretanto, se olharmos os países democráticos onde a religião é simplesmente abandonada pelas pessoas livremente ao longo do tempo e sem nenhuma coerção governamental (como na Grã-Bretanha, nos Países Baixos, na Escandinávia etc.), então podemos dizer que esse é um secularismo mais orgânico, verdadeiro, livre e honesto.

IHU On-Line – Não se poderia ler em seu livro um pouco de “preconceito” com os ateus, afirmando que eles são “bons”, e um pouco de “obviedade” com os religiosos, por mostrar que eles também são humanos e têm o direito de errar, inclusive socialmente?

Phil Zuckerman – Eu não tenho certeza do que você quer dizer com essa questão. Eu não sei se os ateus são “bons”. Tudo o que eu sei é que as sociedades menos religiosas da Terra hoje tendem a ser as mais saudáveis, mais morais, mais igualitárias e mais livres – e as nações mais religiosas da Terra hoje tendem a ser as mais corruptas, pobres, dominadas pelo crime e caóticas. Os leitores podem fazer o que quiserem com essa informação. E eu sei que as pessoas relativamente não-religiosas que eu conheci e/ou entrevistei na Escandinávia estavam entre as pessoas mais gentis e mais humanas que eu já conheci – e tudo sem muita fé em Deus.

Notas

1. Nikolai Frederik Severin Grundtvig (1783-1782) é uma das personalidades mais importantes na história da Dinamarca. Professor, escritor, poeta, filósofo, historiador, pastor e político, Grundtvig teve grande influência na história dinamarquesa. Os escritos de Grundtvig contribuíram para o surgimento do nacionalismo dinamarquês, a formação de cultura democrática e o desenvolvimento econômico. Convertido ao luteranismo em 1810, publicou “Kort Begreb af Verdens Krønike i Sammenhæng” [A crônica do primeiro mundo], de 1812, uma apresentação da história européia em que tenta explicar como Deus se faz presente na história humana e no qual critica a ideologia de diversos expoentes dinamarqueses. Em 1825, publicou “Kirkens Gienmæle” [A réplica da igreja], uma resposta à obra de H. N. Clausen sobre o protestantismo e o catolicismo. Para Clausen, apesar de a Bíblia ser a principal base do cristianismo, ela era uma expressão inadequada de seu sentido global. Grundtvig chamou Clausen de professor anticristão e defendeu que o cristianismo não era uma teoria para ser derivada da Bíblia e elaborada por estudiosos, questionando o direito dos teólogos de interpretar a Bíblia. Por causa disso, foi proibido de pregar pela Igreja Luterana durante sete anos. Entre 1837 e 1841, publicou “Sang-Værk til den Danske Kirke” [Obra musical para a Igreja dinamarquesa], uma rica coleção de poesia sacra. No total, Grundtvig escreveu ou traduziu cerca de 1.500 hinos. A partir de 1830, deu origem ao movimento “Folkehøjskole” [alta escola popular] da Dinamarca, que influenciou a educação de adultos nos EUA na primeira metade do século XX, por meio de um tipo singular de escola, do e para o povo. As reflexões de Grundtvig sobre educação eram norteadas por cinco idéias centrais: a palavra viva (det levende ord), iuminação para a vida (livsoplysning), iluminação do Povo (folkeoplysning), dialógo equilibrado (Vekselvirkning) e as pessoas comuns acima das educadas (folket overfor de dannede)."

O psicólogo Adrian White, da Universidade de Leicester na Inglaterra, efectuou uma pesquisa para mapear o bem-estar no planeta, usando respostas de 80 mil pessoas de todo o mundo. Como resultado desse estudo verificou que o país mais feliz do mundo é a Dinamarca, ficando a Suécia em 7º lugar. De acrescentar que dos países que ficaram no top ten, 7 deles são dos países mais laicos do mundo. Como mera curiosidade, o Brasil ficou em 81º e Portugal em 92º lugar.

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Estado Novíssimo

"A PSP de Braga apreendeu, este domingo numa feira de livros de saldo, cinco exemplares de um livro sobre pintura, considerando que o quadro reproduzido na capa, do pintor Gustave Courbet, é pornográfico, contou à TSF António Lopes, organizador da feira."

Esta censura é deveras censurável (passo a redundância) e só revela o carácter despótico e ambíguo existente neste país. Na semana passada foi a censura às supostas imagens pornográficas expostas no computador "Magalhães" que figurava num carro alegórico de Torres Vedras. Depois de cuidada análise deram o dito pelo não dito, visto que já não as consideravam assim tão pornográficas. Este fim-de-semana foi isto!! O que teremos a seguir!? Irão mandar tapar os nus nas esculturas e pinturas expostas nos museus? Irão mandar censurar as "maminhas ao léu" exibidas nos filmes? Irão acabar com certos programas na TV?

Existe também uma certa ambiguidade porque, apesar de terem sido adoptadas medidas liberais, tais como a legalização do aborto e a educação sexual nas escolas e estarem a ser discutidos: o casamento homossexual e a eutanásia, também estamos a passar por uma fase extremamente conservadora e proibitiva com medidas ridículas como esta.

A crise extrapola as áreas financeira, económica e social, a crise na democracia é deveras gritante!


Nota: A pintura acima exposta é de Gustave Courbet e intitula-se "A origem do mundo" (1866). Courbet é considerado um dos máximos expoentes do realismo na pintura.

Postus scriptum: Só espero que não mandem encerrar este blog pela publicação desta pintura.

Fonte: TSF

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Lendas do Jazz - Max Roach

Simplesmente Genial!




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domingo, 22 de fevereiro de 2009

"Tudo Será Diferente"


Luís Marques colunista do "Expresso", referia num artigo seu deste fim-de-semana, que "dado o contínuo agravamento da crise que atravessamos, sem que tal seja possível prever até onde ela poderá ir, de uma coisa podemos dar como seguro - nada vai ficar como antes".

Pessoalmente, considero que vivemos um momento de relevância histórica o qual em sim mesmo, irá conduzir a uma mudança a todos os níveis relevante, com especial ênfase do ponto de vista económico, social e político. E que será de uma exigência bastante dura, apelando a uma participação fortíssima de toda a sociedade civil.

Na mesma linha, na passada sexta-feira, tive a oportunidade de assistir a uma conferência dada em Loulé, onde o convidado - o Prof. Fernando Rosas, um dos grandes historiadores portugueses da actualidade (para esta análise,vamos deixar aqui a associação política do mesmo), reflectia tendo como ponto de partida a própria História, nas causas da "Segunda Crise Histórica dos Sistemas Liberais do Ocidente" concluindo que, independentemente daquilo que possa suceder, de uma coisa poderemos ter a certeza, a actual crise não será curta, já que a própria História assim o tem demonstrado.

Destas várias perspectivas - que considero bastante realistas, independente do epíteto de «demasiado pessimistas» - emergem várias consequências, tais como: sectores de actividade que vão literalmente desaparecer; reajustamento dos paradigmas da Economia; perda substancial a nível mundial de riqueza; níveis de vida que irão baixar; convulsões sociais que desconhecemos a sua gravidade; luta pela sobrevivência que nalguns casos não andará muito longe da anarquia; terrenos férteis para o aparecimento de movimentos nacionalistas e a ascensão de personagens dúbias e milagrosas.

Como tal, vivemos um tempo o qual, enquadrado num quadro de valorização humanista, a racionalidade, a objectividade e acima de tudo a inteligência colectiva será uma mais valia para enfrentarmos com algum optimismo o desafio que este momento nos coloca. E que nos irá remeter para uma mobilização colectiva com um saudável confronto de posições, onde o maior perigo será sempre a indiferença, a apatia social e a subvalorização de tudo aquilo que estamos a verificar no nosso dia-a-dia.

Tal como refere Luís Marques, "qualquer visão de futuro que se queira fazer, terá de partir deste dado: tudo será diferente!"

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Pega Ladrão

Palavras para quê!? Gabriel, O Pensador já disse tudo! É íncrivel os inúmeros casos de corrupção que grassam nos dois países irmãos (Portugal e Brasil)!

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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Uma Obra, Um Artista - Paul Gauguin

(clicar na imagem para visualizar melhor)
"Where Do We Come From? What Are We? Where Are We Going?"
,1897
Óleo s/ tela
54 3/4 x 147 1/2 in.
Museum of Fine Arts, Boston

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Reflexões desinteressantes - Animais na Ásia

Às vezes dou por mim a pensar do que será dos coitados dos animais, que não percebem nada das fronteiras humanas, que decidem atravessar a fronteira entre a Índia e a China. Na Índia a maior parte das pessoas são vegetarianas e respeitam os animaizinhos, mesmo por mais asquerosos que sejam. Na China uma grande parte da população, exceptuando os que comem arroz e alguns vegetarianos, come praticamente tudo, mas mesmo tudo o que se mova.

Os animaizinhos que atravessam a fronteira da Índia para a China, passam automaticamente de animais (em alguns casos deuses) para refeições em movimento, não importa se for cobra, rato, escorpião, lagarto, etc. Nenhum animal se safa. Para os nossos amigos chinocas marcha tudo.

Por outro lado, já estou a imaginar uma raposa a ser perseguida por caçadores chineses. A raposa com consciência de criminoso norte americano almeja alcançar a fronteira para dessa forma atingir a liberdade do outro lado, na Índia.

Isto até daria um óptimo filme de animação da Pixar, imaginem duas vacas na China a falarem uma com a outra - "Os meus avós falaram-me duma terra onde somos consideradas deusas. Acho que se chama Índia. O meu sonho é ir para lá um dia!!". A outra responde - "Do que é que estamos à espera!? Aqui vamos parar com toda a certeza ao prato dum chinoca!! Baza!!".

Mas isto são reflexões que não interessam para nada.

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A Igreja e o Casamento Homossexual

"A homossexualidade não é normal" disse o Cardeal D. José Saraiva Martins no decorrer da polémica discussão sobre o casamento entre homossexuais em Portugal. Isto, de facto, soa estranho vindo de um alto dignitário de uma classe eclesiástica que tem por hábito vestir saias e casar-se com Jesus Cristo. O que não é normal é a prática da abstinência sexual que os padrecos seguem toda a vida. Corrijo, queria dizer alguns padrecos, porque uma pequena parte deles (mesmo assim substancial) até nem segue a sagrada abstinência sexual, tendo em conta os não raros casos de pedofilia de que se ouve falar. A vida nos seminários também, pelo que tem sido divulgado nos media, não é propriamente uma vida pura...

As religiões com os seus dogmas acabam por estar desfazadas do tempo, não acompanhando as realidades sociais das sociedades em que estão inseridas. Isto acontece porque se baseiam em livros sagrados que talvez fizessem sentido há muitos séculos atrás, porém hoje em dia pouco sentido já fazem.

A religião Católica perdeu o debate sobre o aborto, neste momento está numa guerra a duas frentes - Casamento homossexual e Eutanásia. Embora o assunto Eutanásia já o tenha referido num post anterior, voltarei a ele mais tarde. O que gostava de perguntar aos caríssimos leitores é se acham que a Igreja Católica tem razão nos argumentos que apresenta em relação à condenação do "casamento homossexual"?

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

"Transparência na Administração Pública" - um sítio a não perder


Divulgava recentemente o meu amigo João Pepino no seu blogue A Má Fortuna, o endereço de um sítio interessante que merece umas visitas mais atentas, na medida em que mais não é do que um motor de busca, o qual fornece de imediato uma listagem das obras e aquisições por ajuste directo, levadas a cabo pelas nossas autarquias bem como dos custos envolvidos.

Para tal, basta colocar o nome da autarquia em questão e ....voilá!

Excelente ferramenta para perceber de forma célere e prática, onde os nossos autarcas andam a gastar o l'argent dos respectivos munícipes.

Link: http://transparencia-pt.org/

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Aprovada a Educação Sexual nas Escolas

A partir do próximo ano lectivo, a educação sexual passa a ser ensinada nas escolas do ensino básico e secundário, depois de o Parlamento ter hoje aprovado um projecto de lei do Partido Socialista, com votos favoráveis de PS, PSD, PCP e PEV e com a abstenção do CDS-PP e do BE. A educação sexual terá uma carga horária mínima de de 12 horas por ano lectivo, desde o 1.º ao 12.º ano. No ensino básico (1.º ao 9.º), integra-se no âmbito da educação para a saúde, nas áreas curriculares não disciplinares, enquanto no Secundário (10.º ao 12.º) integra-se nas áreas curriculares diciplinares e não disciplinares.
O projecto de lei estipula que cada escola ou agrupamento terá de designar 'um professor-coordenador da educação para a saúde e educação sexual', bem como um professor responsável pela área para cada uma das turmas. Será o Governo a definir por despacho as habilitações necessárias para estas funções.
Cada escola terá ainda de criar 'uma equipa interdisciplinar de educação para a saúde e educação sexual', à qual caberá gerir o gabinete de informação e apoio ao aluno. Estes gabinetes serão criados na escolas de 2.º e 3.º ciclo e nas secundárias. O diploma determina ainda que em cada ano lectivo haja o dia da educação sexual.
Na minha opinião, acho que é uma medida benéfica, não pelo sentido depreciativo que muito poderão incutir com este tema, mas sim, pela vertente pedagógica que poderá ser extremamente benéfica, no que concerne à prevenção e informação sobre doenças sexualmente transmissíveis (DST), bem como na informação sobre planeamento familiar. Será benéfico também uma discussão alargada sobre a importância da frequência da Educação Sexual, principalmente junto da comunidade estudantil. Qual é a sua opinião?

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"Isto é que vai uma crise!!"

A malta da minha geração (dos trintas) por certo se lembrará desta grande pérola do humor português do programa Sabadabadu.

Desde criança que ouço falar na crise, pelo que a sátira mais bem conseguida sobre este assunto é a rábula de Ivone Silva e Camilo de Oliveira - "Ai Agostinho, ai Agostinha!", que considero um clássico do humor em Portugal. Ao ver este video, de novo, Ivone Silva e Camilo de Oliveira relembram-nos que a crise em Portugal é intemporal.



Como nota, gostaria de deixar aqui a minha homenagem a Camilo de Oliveira, mas principalmente a Ivone Silva que teve o dom de mostrar que o humor não é propriedade exclusiva dos homens. E no entanto ela foi um dos expoentes máximos nessa matéria.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Já fui ver e gostei - "The Wrestler"

Independentemente de quem aprecie ou não o dito desporto/espectáculo de nome Wrestling, este é um filme muito para além daquilo que é a própria modalidade.

Mickey Rourke, tem um desempenho muito bom, fazendo com que a estória do filme (realizado por Darren Aronofsky) seja como que um auto-retrato da sua carreira como actor. Essa é uma das analogias que podemos de imediato estabelecer.

"The Wrestler" é acima de tudo, um filme sobre a luta permanente de um homem contra a solidão o esquecimento e o passar do tempo, nunca negando na realidade aquilo que sempre foi, mesmo que isso implique o sacrificar da sua vida.


A merecer destaque também, a excelente interpretação de Marisa Tomei no papel de stripper, que serve de âncora à personagem de Rourke -"The Ram".

Por fim, o registo ao nível da banda sonora, a qual conta com uma música original de Bruce Springsteen- The Wrestler- feita a pedido de Rourke, exclusivamente para o filme.

De seguida o trailer:

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O longo, forte e sufocante abraço do desemprego

Caros amigos,

Deixo-vos aqui mais um cartoon da minha autoria sobre o problema alarmante do desemprego.

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Revista "Time" elege 25 melhores blogues de 2009


A conceituada revista norte-americana "Time" divulgou no seu site os 25 melhores blogues mundiais de 2009. Da política à ciência, passando por temas como a informática ou a ecologia, a lista é ecléctica. No topo da selecção aparece o blogue "Talkingpointsmemo ", o primeiro de sempre a vencer um grande prémio de jornalismo. Segundo a "Time", o "Talking Points tornou-se o protótipo daquilo que deverá ser no futuro uma empresa de notícias online".

Nos blogues políticos, o "The Huffington Post " é o mais destacado. Segundo o jornal britânico "The Observer", este é "o blogue mais poderoso do mundo".

O "Lifehacker ", blogue de dicas e downloads para resolver os mais variados problemas, ou o "Freakonomics ", dos autores do best-seller com o mesmo nome, são outras das páginas da blogosfera apontadas como interessantes.

Clique na foto para conhecer os 25 melhores blogues mundiais no artigo original da revista "Time", em inglês.

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Big Brother adiado

A medida com retoques Orwellianos que o Governo estava prestes a implementar poderá ser alterada. Estou a falar concretamente no dispositivo electrónico de matrícula (DEM) o qual vai ter, para já, como única função a cobrança de portagens. O Governo, após alguma polémica em torno desta medida, optou por uma versão simplificada do chip para diminuir custos, deixando cair funcionalidades como a localização georreferenciada ou informações sobre a validade da inspecção e do seguro. Por enquanto o chip só vai servir para pagar as novas SCUT do Grande Porto, Costa da Prata e Norte Litoral, que não terão cabinas de portagem, apenas pórticos electrónicos. Os condutores que não tiverem Via Verde vão ser obrigados a adquirir este identificador. O preço deverá rondar os dez euros, mas nos primeiros seis meses será gratuito.

Isto, de facto, vai ser de uma utilidade a toda a prova! Quem será o empresário, que vai vender estes chips, com tão bons contactos dentro do Governo...?

Fonte: Revista Visão nº832

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Estados Desunidos da América???

(clique para aumentar)

Segundo o ex-KGB e académico russo Igor Panarin, a partir do próximo ano, os Estados Unidos vão deixar de ser unidos, dando origem entre 4 a 6 novas repúblicas.

Na opinião de Panarin, a crise económica actual e uma futura guerra civil nos Estados Unidos vão impulsionar a divisão da maior potência do planeta em repúblicas que ficarão sob influência de diversos países.


Panarin, que afirma já ter previsto a desintegração da ex- URSS, no que concerne aos EUA, já em 1998 tinha avançado com esta teoria, a qual ninguém lhe deu ouvidos. Contudo, nas últimas semanas tanto o Wall Street Journal como a CNN, têm vindo a dar ênfase a esta teoria de Panarin, o que não é sinónimo de dar crédito à mesma, no entanto perante o actual cenário de crise , nota-se que a surdez ao tema tem sido menor.

Tudo (segundo Panarin) se iniciará com uma guerra civil, com um figurino tipo ex-Jugoslávia, com as diferentes etnias a lançarem-se umas às outras de acordo com o grau de carências económicas que sentirem.

A configuração deste novo mapa geopolítico, pode ser verificada na imagem que acima disponibilizamos.

Sobre a dita teoria, pessoalmente não lhe dou muito crédito, contudo o dito académico avança com alguns factos que julgo merecerem alguma análise:

-Costa Oeste americana, caracterizada por uma forte presença asiática, onde as comunidades indiana e chinesa crescem exponencialmente;

- do Texas à Florida a massiva presença de uma comunidade hispânica, a qual coloca a sua cultura e o castelhano como sinais de importante referência na zona;

- Costa Leste, com uma ligação "umbilical" em termos ideológicos à Europa, sendo "dominada pelo capital financeiro".

As teorias valem o que valem, não são elas mais do que...teorias, mas por muito mais absurdas que por vezes algumas nos possam parecer, nunca deveremos colocá-las na posição de completo desprezo pelas mesmas.
A História tem-nos ensinado por várias vezes que aquilo que temos por garantido (ou dado como impossível), pode não passar de pura ilusão. Lembrando aqui a famosa lei de Murphy: "Nada é tão mau que não possa sempre piorar!"


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